Avalanche no Nepal mata mais de 300 pessoas e deixa 1.500 desaparecidos na fronteira com Tibete

Colapso de geleira no Himalaia causa devastação; equipes de resgate buscam quase 1.500 desaparecidos.



O cenário de devastação absoluta e luto marca a fronteira entre o Nepal e o Tibete chinês. Nesta quinta-feira, as autoridades dos dois países divulgaram um trágico balanço da inundação catastrófica que atingiu a região do Himalaia nas últimas 24 horas: o número de mortos chegou a 335, enquanto equipes de resgate empenham-se contra o tempo para localizar aproximadamente 1.500 pessoas desaparecidas.

Inicialmente interpretado pela população como um possível terremoto, o desastre humanitário foi na verdade provocado pelo colapso de uma geleira. Conforme informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a queda colossal de gelo e rochas acionou uma avalanche destrutiva e uma enxurrada de lama que arrasou vilarejos inteiros em poucos segundos.

A força da água destruiu pontes, estradas, usinas de energia e habitations, deixando diversas comunidades completamente isoladas. No lado nepalês, que concentra a maioria das vítimas fatais (332 óbitos confirmados), o distrito de Rasuwa e as margens dos rios Trishuli e Bhote Koshi foram os locais mais gravemente afetados.

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No território tibetano, a destruição atingiu a importante zona comercial e portuária de Gyirong, onde três mortes foram registradas até o presente momento. O desespero dos profissionais de busca se intensifica pelo expressivo número de turistas envolvidos na tragédia.

A região é uma rota mundialmente conhecida por atrair milhares de peregrinos e aventureiros em direção ao sagrado Monte Kailash. Do total de 910 desaparecidos registrados apenas no Nepal, as autoridades indicam que mais de 700 são estrangeiros, incluindo grandes contingentes de indianos, americanos, ucranianos, malaios, australianos, britânicos e canadenses.

Na China, a imprensa estatal relata 558 pessoas desaparecidas, sendo no mínimo 260 de outras nacionalidades.

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Mudanças climáticas ampliam risco de novas tragédias no Himalaia

O colapso no teto do mundo soa um alerta crítico da comunidade científica sobre os impactos diretos do aquecimento global. Pesquisadores alertam que as significativas mudanças climáticas estão debilitando rapidamente as geleiras do Himalaia, tornando eventos extremos e a formação de lagos glaciais instáveis cada vez mais recorrentes e perigosos.

O cenário nas montanhas asiáticas está longe de se normalizar. Com vias rodoviárias bloqueadas por quantidades enormes de detritos, o Exército nepalês mobilizou mais de 5 mil profissionais para executar operações de resgate aéreo com utilização de helicópteros. Além das complicações logísticas e das condições climáticas desfavoráveis, há uma preocupação urgente: um volumoso bloqueio de detritos formou uma represa natural em uma área elevada do rio, gerando risco extremo de uma segunda onda de inundação.

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Habitantes de áreas próximas aos rios já foram ordenados a abandonar suas residências imediatamente. Para conter a crise humanitária, a ONU divulgou a disponibilização de US$ 2 milhões em recursos emergenciais, somando-se ao auxílio enviado por nações como Estados Unidos, Canadá e Índia.

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