- Pela Redação
- 29/05/2023
O panorama do futebol argentino transformou-se significativamente desde os anos 2000. Enquanto o Boca Juniors dominava o continente com três títulos da Libertadores no início do século, a década passada pertenceu ao River Plate, que conquistou dois títulos e disputou três finais. Neste domingo, às 15h (de Brasília), os tradicionais rivais voltam a se encontrar na Bombonera, mas agora com os papéis invertidos e o Boca candidato a retomar a liderança no futebol argentino.

Durante anos, os investimentos milionários do River Plate o transformaram em potência financeira incontestável na América do Sul. Sob a liderança de Marcelo Gallardo, que conquistou 14 títulos entre 2014 e 2022, o clube ganhou projeção internacional. A exploração comercial do Monumental de Núñez, somada a reformas estruturais, permitiu ao River faturar R$ 1,23 bilhão na temporada passada. Almada, Ángel Correa, Lucas Beltrán e Otamendi chegaram em investimentos que ultrapassaram R$ 400 milhões no meio da temporada.
No entanto, os gastos vultosos não geraram resultados imediatos. O River foi eliminado nas quartas de final da Copa Sul-Americana pelo Santa Fé e ocupa apenas a sétima posição na classificação anual com 52 pontos. O cenário é preocupante: faltam apenas duas rodadas para o fim da fase classificatória do Torneio Clausura, e a equipe precisa vencer o Boca e o Aldosivi, além de contar com uma combinação improvável de resultados para superar Boca Juniors (57), Argentinos Juniors (57) e Rosario Central (56).
Campeão argentino em 2022 e finalista da Libertadores em 2023, quando foi derrotado pelo Fluminense, o Boca Juniors havia desaparecido do radar sul-americano. Mesmo como hexacampeão da principal competição do continente, o clube permanecia eclipsado pelo River Plate. O Millonario conquistou a Libertadores de 2015 e em 2018 venceu uma final memorável contra o próprio Boca no Santiago Bernabéu. Um ano depois, apenas perdeu para o Flamengo na final, com dois gols de Gabigol nos momentos finais.
A situação agora coloca o River em encruzilhada crítica. Eliminado da Copa Argentina, sua única via viável é conquistar o Torneio Clausura. Caso contrário, o clube ficará ausente da Libertadores por dois anos consecutivos, interrompendo uma sequência de 11 edições seguidas na competição.
O problema cresceu quando o investimento massivo não converteu-se em troféus. Os gastos de quase R$ 400 milhões em reforços não renderam frutos imediatos, deixando a torcida e a direção do clube frustradas. A pressão é enorme sobre o técnico e seus jogadores para reverterem a situação.

Enquanto o River sofre, o Boca vive seu melhor momento. Depois de eliminar o Vasco na semifinal da Copa Sul-Americana, o clube argentino respira aliviado. A equipe dirigida por Rodolfo Arruabarrena sofreu um susto quando Leandro Paredes, seu principal jogador, machucou-se contra o Instituto antes dos confrontos com os cariocas. O volante não participou do jogo em Buenos Aires, quando o Vasco surpreendentemente venceu por 1 a 0 e quebrou uma sequência de 17 jogos invictos da Bombonera.

A recuperação de Paredes foi espetacular. O tricampeão mundial superou uma lesão de grau 2 no músculo posterior da coxa direita em apenas 11 dias e retornou para decidir a semifinal contra o Vasco. No Maracanã, o volante marcou o gol que selou a vitória por 3 a 1 e classificou o Boca para a final da Copa Sul-Americana, competição que o clube não vence desde 2005.
No Campeonato Argentino, o Boca garantiu-se matematicamente nos playoffs do Torneio Clausura e lidera com folga a classificação anual. A derrota para o Vasco foi a única em quase três meses: entre os outros 20 jogos no período, foram 12 vitórias e oito empates. O time está extremamente próximo de garantir matematicamente uma vaga na Libertadores.
Para aumentar a confiança do Boca, existe um detalhe que não passa despercebido: em 19 de abril deste ano, no primeiro Superclássico da temporada, Paredes marcou o único gol da partida do pênalti no Monumental de Núñez, dando a vitória ao Boca fora de casa. O volante comemorou à moda de Riquelme, com as duas mãos nas orelhas diante da torcida do River Plate, provocando os milionários.
A diferença de desempenho entre os times é abismal. Enquanto o Boca coleciona resultados positivos, o River precisa de milagre para se recuperar. O próximo capítulo do Superclássico promete grande emoção, e uma eventual vitória do Boca pode sepultar definitivamente a temporada do River, deixando praticamente impossível sua classificação para a Libertadores.
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