- Pela Redação
- 29/05/2023
O Centro Histórico de Cuiabá será palco de um grande movimento que resgata e celebra a presença da população negra nas estruturas urbanas da capital. A Rota da Ancestralidade - A Virada é uma edição especial que homenageia a quinta edição do Prêmio Jejé de Oyá, unindo memória, patrimônio e manifestações culturais em um percurso que revela narrativas historicamente invisibilizadas.
O evento acontece na sexta-feira (21 de agosto) com concentração às 19h na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte. De lá, participantes seguirão por vias emblemáticas do Centro Histórico, incluindo a Escadaria do Beco do Alto e a Rua das Pretas (atual Rua Engenheiro Ricardo Franco), até alcançar a Praça da Mandioca. Durante toda a caminhada, histórias e personagens negros fundamentais para a formação de Cuiabá serão revelados através de narrativas que nem sempre ocupam espaço nas histórias oficiais da cidade.
Idealizada por Cristóvão Luiz há mais de uma década, a Rota da Ancestralidade consolidou-se como iniciativa de valorização da memória e do patrimônio cultural negro cuiabano. A proposta articula história, tradição oral e educação patrimonial para apresentar múltiplas camadas da formação social e cultural mato-grossense. Ao deslocar o olhar sobre ruas, igrejas, becos e casarões, a ação coloca em debate os processos de apagamento da memória negra, reconhecendo pessoas, comunidades, saberes e resistências que construíram esses espaços.
Nesta edição especial, a caminhada adquire dimensão maior ao integrar celebrações do Prêmio Jejé de Oyá. A conexão territorial passa pela memória de Jejé, que habitou proximidades da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, ponto de partida do percurso. Ao chegar à Praça da Mandioca, a memória encontra celebração vibrante. Das 20h30 às 0h30, o espaço recebe programação diversa de manifestações artísticas e culturais, reafirmando que a presença negra em Cuiabá permanece viva, criando arte e ocupando a cidade de novas formas.
A programação inclui apresentações da cantora carioca Andréia Caffé, além de Naiggaz, Bloco Agora QQ Esse, Bloco Banana da Terra, Buriti Nagô, DJ Helinho e Grupo de Siriri Flor do Campo. Para Jeferson Bertoloti, idealizador do Prêmio Jejé de Oyá, aproximar a premiação da Rota significa reconhecer a população negra como construtora fundamental da história cuiabana. "O Prêmio celebra quem mantém viva a cultura negra. Caminhar com a Rota é reconhecer que nossa história está inscrita nessas ruas. A Virada é memória e presença: é ocupar o Centro Histórico com a cultura negra que está viva, criando e construindo Cuiabá no presente."
Educação patrimonial com estudantes
A programação iniciará uma semana antes. Na sexta-feira (14 de agosto), a Rota da Ancestralidade Estudantil, realizada em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso, promoverá imersão com alunos do Ensino Médio pelo Centro Histórico. A caminhada começará às 16h30 nas proximidades da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, próximo ao casarão onde viveu Jejé de Oyá. Durante aproximadamente uma hora e meia, estudantes conhecerão histórias e referências negras presentes no território, utilizando a cidade como espaço vivo de aprendizagem.
A atividade reforça o caráter educativo da iniciativa e propõe leitura crítica sobre quem construiu Cuiabá, quais histórias foram preservadas e quais memórias foram historicamente apagadas. Ao levar essas narrativas para novas gerações, a Rota amplia o reconhecimento das contribuições negras na formação histórica, social e cultural de Mato Grosso.
Uma década de história e resistência
Desde sua criação em Cuiabá, a Rota da Ancestralidade realiza percursos pelo Centro Histórico guiados pela memória e presença negra. A iniciativa articula tradição oral, patrimônio, educação e cultura para tornar visíveis histórias, personagens e territórios essenciais para compreender a capital. Mais que revisitar o passado, caminhar pela Rota significa disputar quais histórias uma cidade escolhe preservar. Ao centralizar a memória negra, a ação reafirma que compreender Cuiabá passa necessariamente por reconhecer o protagonismo negro na construção de sua história, cultura e identidade.
Serviço:
Data: 21 de agosto de 2026 (sexta-feira)
Concentração: 19h na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte
Percurso: Centro Histórico com passagem pela Escadaria do Beco do Alto e Rua Engenheiro Ricardo Franco
Chegada: Praça da Mandioca
Programação cultural: 20h30 às 0h30
Atrações: Andréia Caffé, Naiggaz, Bloco Agora QQ Esse, Bloco Banana da Terra, Buriti Nagô, DJ Helinho e Grupo de Siriri Flor do Campo
Classificação: livre
Entrada: gratuita
Realização: Instituto ITEEC Brasil
Produção: Bemtivi Academia de Arte
Apoio: Rota da Ancestralidade e IFMT
Patrocínio: ALMT, Secel-MT e Governo de Mato Grosso
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