- Pela Redação
- 29/05/2023
Mato Grosso fechou o mês de julho com um resultado inédito: o menor registro de focos de calor desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/BD Queimadas) começou suas medições em 1998. A queda foi extraordinária, representando uma redução de 78,15% frente à média dos últimos 28 anos, reforçando a efetividade das políticas de prevenção e a importância da colaboração comunitária.
Conforme informações do INPE, Mato Grosso computou 746 focos de calor durante julho de 2026, cifra bastante abaixo da média histórica para este mês, que fica em 3.414 detecções. Do total identificado, sessenta por cento ocorreram em territórios sob jurisdição federal, como terras indígenas e áreas de assentamento, exigindo ação de órgãos federais, já que o Estado carece de autorização para intervir nessas regiões.
Comparando com julho do ano anterior, quando foram apontados 1.017 focos—até então o menor índice do histórico para o período—a diminuição chega a aproximadamente 26,65%. Mesmo diante desse cenário positivo, o Corpo de Bombeiros reafirma a necessidade de vigilância intensificada durante a estiagem, particularmente frente aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño e às circunstâncias climáticas que facilitam a propagação de incêndios, tais como umidade relativa baixa, temperaturas elevadas e ventos intensos.
Segundo o tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), esses indicadores espelham o trabalho coordenado de prevenção, monitoramento e informação realizado na primeira metade do ano, esforço que necessita ser potencializado para diminuir vulnerabilidades durante a estiagem.
"Os índices demonstram que as iniciativas preventivas têm contribuído significativamente para a redução dos focos de calor, porém isso não implica diminuição do risco. A estiagem demanda precaução redobrada, principalmente porque as condições climáticas favorecem a disseminação do fogo. A participação ativa da população é vital para evitarmos situações críticas", declarou.
O comandante enfatizou ainda a importância de que cidadãos permaneçam atentos ao longo de toda a estiagem, informem atividades ilegais com fogo através dos números 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros) e cumpram as limitações vigentes durante o período proibitivo, estratégia que tem comprovado sua eficiência na contenção dos focos de calor.
Registros do INPE indicaram que maio contabilizou 831 ocorrências e junho atingiu 1.440, enquanto julho apresentou redução substancial, sinalizando êxito das medidas preventivas implementadas.
Período proibitivo
Instaurado a partir de 1º de julho, o período proibitivo veda a utilização de fogo em toda a extensão estadual para operações de limpeza e manejo em áreas agrícolas até 30 de novembro de 2026. O emprego ilegal de fogo nesse intervalo pode caracterizar infração ambiental, expondo os infratores às sanções determinadas pela legislação vigente.
Além de constituir violação legal, tal prática gera ameaças à integridade da população, à saúde coletiva e aos ecossistemas, podendo catalisar surgimento e disseminação de queimadas florestais de magnitude considerável.
Estrutura de combate
Para este exercício, a administração estadual designou R$ 134 milhões destinados às operações de enfrentamento de incêndios florestais e exploração ilegal de vegetação. O esquema tático para o período árido prevê mobilização cotidiana de 483 bombeiros militares e 105 brigadistas do Estado, acrescido do reforço de brigadistas vinculados aos municípios. Os recursos incorporam 80 veículos operacionais, 28 equipamentos mecanizados, seis aeronaves pertencentes ao Grupamento de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Proteção Civil, um aeronave de médio porte do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e um veículo de navegação anfíbia SHERP.
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