- Pela Redação
- 29/05/2023
A pecuária mato-grossense alcançou um marco importante ao se tornar pioneira nacional no acesso à linha de crédito Eco Invest 2, programa federal especialmente desenvolvido para financiar projetos que mantêm o rebanho nas áreas existentes, evitando a conversão para agricultura ou reflorestamento. A empresa Novapec conquistou aprovação para acessar os recursos destinados à revitalização de terras degradadas e à promoção de modelos produtivos sustentáveis, com previsão de restaurar mais de três mil hectares de pastagens através de metodologias como Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e Recria Intensiva a Pasto (RIP).
O processo de aprovação demandou aproximadamente doze meses de estruturação complexa. Para Arlindo Vilela, diretor executivo da Novapec, o acesso a este financiamento representa uma ponte entre investimentos ambientais e rentabilidade econômica no segmento rural. Segundo o executivo, a modalidade exige rigorosos critérios de elegibilidade, demandando altos padrões de gestão, transparência administrativa e conformidade normativa dos proponentes.
O programa Eco Invest Brasil funciona como catalisador de investimentos sustentáveis ao integrar recursos públicos com participação privada. Sua segunda etapa, lançada em abril de 2025, direciona-se especificamente à reabilitação produtiva de propriedades degradadas, possibilitando sua reintegração em sistemas agropecuários e de produção integrada. O mecanismo utiliza estrutura de financiamento híbrido, combinando capital público para estimular entrada de instituições financeiras e investidores privados, ampliando oferta creditícia para iniciativas ambientais com condições favoráveis para aplicações de longo prazo.
No segundo processo de alocação de recursos realizado em 2025, o programa disponibilizou R$ 16,5 bilhões em aportes públicos, com capacidade de mobilizar R$ 30,2 bilhões em investimentos totais e restaurar aproximadamente 1,4 milhão de hectares em diferentes territórios nacionais.
Bruno de Jesus Andrade, responsável pela área de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), considera iniciativas como o Eco Invest 2 instrumentos essenciais para ampliar oportunidades creditícias destinadas à modernização de fazendas e à adoção de metodologias ambientalmente responsáveis. De acordo com o dirigente, o crédito estruturado possibilita que produtores invistam em inovação tecnológica, recuperem áreas subutilizadas e aumentem rendimento sem necessidade de ocupar novas extensões territoriais, reconhecendo simultaneamente aqueles que já implementam práticas ecologicamente corretas e gerando resultados financeiros positivos.
A aprovação da operação contou com respaldo técnico do Imac na resolução de questões ambientais específicas da propriedade. Uma das principais dificuldades envolveu a presença de Área de Proteção Ambiental (APA) em uma das unidades produtivas, que necessitou ser adequadamente documentada durante a análise técnica. Vilela ressalta que o instituto foi decisivo ao utilizar sua competência ambiental interna para contornar impasses que consultorias externas interpretavam equivocadamente, demonstrando a importância do conhecimento local para aprovação de projetos de elevada complexidade regulatória.
Com este financiamento aprovado, o produtor planeja intensificar sua trajetória produtiva mantendo altos padrões ambientais. Vilela identifica este crédito como indicador de transformação na forma como o setor financeiro passa a valorizar investimentos sustentáveis. O executivo enfatiza que a intensificação produtiva representa um dos principais instrumentos para alcançar sustentabilidade real, e o acesso a este financiamento valida tecnicamente as práticas defensivamente adotadas, abrindo perspectivas revolucionárias para a pecuária do estado.
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