- Pela Redação
- 29/05/2023
Entre janeiro e julho, Mato Grosso enfrentou uma série preocupante de desaparecimentos, totalizando 1.310 casos. Isso representa uma média de seis pessoas desaparecidas por dia no estado. Conforme dados do Painel de Informações de Pessoas Desaparecidas da Secretaria Nacional de Segurança Pública, 685 indivíduos foram localizados, deixando 625 (47% do total) com paradeiro ainda desconhecido. Especialistas alertam que esses números podem não representar fielmente a realidade, uma vez que atualizações inadequadas nos sistemas da Segurança Pública comprometem a confiabilidade dos dados oficiais.
Em âmbito nacional, o panorama durante o mesmo período mostra 51.234 desaparecimentos registrados, mantendo a média de seis casos diários. O Anuário da Segurança Pública evidencia uma tendência crescente em nível país: em 2025 foram contabilizados 84.269 desaparecimentos junto às autoridades policiais, representando um crescimento de 3,6% comparado aos 81.040 registros de 2024.
Diferentemente da tendência nacional, Mato Grosso apresentou redução significativa. Em 2024, foram registrados 2.271 desaparecimentos, número que caiu para 2.112 no ano passado, configurando uma queda de 8,4%. Nos sete primeiros meses de 2025, a composição dos desaparecidos aponta 867 homens e 443 mulheres. Quanto à faixa etária, 895 tinham acima de 18 anos, 405 entre 0 e 17 anos e 10 tiveram idade não registrada.
Dados do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil indicam concentração de registros na região metropolitana. A capital Cuiabá liderou com 266 casos, enquanto Várzea Grande somou 124, totalizando 390 desaparecimentos nas duas maiores cidades estaduais. Sinop aparece em seguida com 127 registros, Rondonópolis com 72, Nova Mutum (66), Pontes e Lacerda (49), Tangará da Serra (45), Primavera do Leste (44), Cáceres (41), Juína (39) e Água Boa (34).
O delegado Bráulio Junqueira, responsável pela Delegacia de Homicídios, Proteção à Pessoa e Patrimônio de Sinop, questiona a precisão desses números. Segundo ele, muitos registros não refletem desaparecimentos genuínos. Dos 127 casos registrados no município entre janeiro e julho, apenas 14 foram localizados, deixando 113 sem informações. Junqueira ressalta que grande parte das ocorrências envolve pessoas que retornam, mas as famílias não comunicam oficialmente o reaparecimento às autoridades.
O delegado explica que a Delegacia de Homicídios enfrenta limitações operacionais para manter atualizações constantes dos registros. Com recursos limitados e investigações de homicídios demandando atenção, a instituição não dispõe de efetivo disponível para confirmar sistematicamente o reaparecimento de desaparecidos. Junqueira ainda salienta que nem todas as situações de desaparecimento estão conectadas a atividades criminosas.
As causas dos desaparecimentos variam significativamente. Casos incluem idosos com demência, indivíduos sem envolvimento criminal que abandonam seus compromissos, e pessoas em situações pessoais complexas. Em todas as circunstâncias, quando as famílias procuram apoio, a polícia oferece assistência integral, incluindo requisições de ordens judiciais para quebra de sigilo bancário e telemático quando necessário. O Cioaper também disponibiliza sobrevoo de drones em áreas indicadas.
Junqueira cita exemplos recentes que ilustram a complexidade das investigações. Um caso envolveu um jovem que tirou a própria vida dirigindo seu veículo para um rio. Múltiplas diligências utilizando câmeras de vigilância foram necessárias para localizar o automóvel submerso contendo o corpo. Outro caso envolveu um morador com problemas cardíacos que saiu para pescar sem informações detalhadas sobre seus hábitos, dificultando as buscas iniciais.
Outra situação notável incluiu um indivíduo que foi avistado embarcando em um ônibus com destino ao Pará, mas foi registrado como desaparecimento pela família. Junqueira aponta que quando desaparecidos têm envolvimento com atividades criminosas ou dependência química, a possibilidade de morte por conflitos entre facções aumenta consideravelmente. Nessas situações, a polícia oferece suporte às famílias e permanece atenta a denúncias relacionadas a achados de corpos ou restos mortais.
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