Livrarias retomam crescimento com famílias buscando alternativa contra excesso de telas digitais

Gerente da Livraria Janina com 25 anos de experiência relata volta do interesse por livros físicos entre brasileiros



Contrariando previsões de desaparecimento, as livrarias físicas experimentam movimento de recuperação no mercado brasileiro. A conclusão é de Leandro Cerqueira, gerente-geral da Livraria Janina localizada no Centro de Cuiabá, que acumula duas décadas e meia de experiência no segmento.

LEANDRO LIVRARIA JANINA

Em conversa com o Estadão Mato Grosso, Cerqueira detalhou um cenário radicalmente diferente daquele projetado anos atrás, quando especialistas previam o fim das livrarias e bibliotecas diante da expansão das tecnologias digitais e plataformas de leitura eletrônica.

"Aqueles que trabalham no ramo percebem uma dinâmica oposta. Tempos atrás circulavam predições sobre o desaparecimento de livrarias e bibliotecas. Porém, presenciamos justamente o contrário. Bibliotecas resgatando sua relevância, livrarias expandindo novamente", relatou.

O executivo observa que essa tendência positiva já é visível em diversas regiões do país. Conforme sua avaliação, o livro impresso mantém importância fundamental especialmente quando se trata de concentração mental, desenvolvimento de conhecimento e consolidação do costume de ler.

Cerqueira associa esse retorno ao interesse crescente de pais e responsáveis em relação ao tempo excessivo que menores consomem em smartphones, tablets e computadores. A preocupação com a chamada intoxicação digital emerge como motivador principal dessa mudança.

"Os responsáveis começaram a reconhecer o problema. Vivemos sob impacto da intoxicação digital. As telas funcionam como um vórtex do qual pessoas, principalmente jovens, têm dificuldade em escapar. E qual é a solução identificada? Os livros e a leitura", explicou.

Segundo o gerente, muitos lares passaram a enxergar a leitura como instrumento eficaz para diminuir a dependência de aparelhos eletrônicos, promovendo simultaneamente estímulos diferentes no aprendizado e diversão.

Até a geração Z, frequentemente caracterizada pelo engajamento intenso em redes sociais e ferramentas tecnológicas, voltaria a visitar livrarias com regularidade. "Podemos dizer que eles retornam. Os responsáveis se preocupam agora, trazendo seus filhos pequenos mais frequentemente", declarou.

Cerqueira enfatiza o papel estratégico do estímulo à leitura desde as primeiras idades. Disponibilizar livros desde a infância, conforme sua perspectiva, contribui significativamente para estabelecer uma ligação equilibrada com a tecnologia e solidificar preferência por leitura.

"A questão educacional começada no nascimento, ofertando isso ao filho, possibilitando experiência com publicações, narrativas, prosa. Tudo colabora para reconstruir essa geração Z", destacou.

Após vinte e cinco anos dedicados ao comércio de livros, Cerqueira convida-nos a redirecionar perspectivas: longe de obsolescência, o livro impresso ganha espaço recuperado justamente como reação aos problemas crescentes ocasionados pelo consumo intenso de dispositivos digitais.

"Esse movimento está ocorrendo, está sendo reabilitado, com pais e responsáveis buscando salvar essa geração que se perdia nas telas", concluiu.

0 Comentários

Faça um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados* *

Veja Também