- Pela Redação
- 29/05/2023
Contrariando previsões de desaparecimento, as livrarias físicas experimentam movimento de recuperação no mercado brasileiro. A conclusão é de Leandro Cerqueira, gerente-geral da Livraria Janina localizada no Centro de Cuiabá, que acumula duas décadas e meia de experiência no segmento.

Em conversa com o Estadão Mato Grosso, Cerqueira detalhou um cenário radicalmente diferente daquele projetado anos atrás, quando especialistas previam o fim das livrarias e bibliotecas diante da expansão das tecnologias digitais e plataformas de leitura eletrônica.
"Aqueles que trabalham no ramo percebem uma dinâmica oposta. Tempos atrás circulavam predições sobre o desaparecimento de livrarias e bibliotecas. Porém, presenciamos justamente o contrário. Bibliotecas resgatando sua relevância, livrarias expandindo novamente", relatou.
O executivo observa que essa tendência positiva já é visível em diversas regiões do país. Conforme sua avaliação, o livro impresso mantém importância fundamental especialmente quando se trata de concentração mental, desenvolvimento de conhecimento e consolidação do costume de ler.
Cerqueira associa esse retorno ao interesse crescente de pais e responsáveis em relação ao tempo excessivo que menores consomem em smartphones, tablets e computadores. A preocupação com a chamada intoxicação digital emerge como motivador principal dessa mudança.
"Os responsáveis começaram a reconhecer o problema. Vivemos sob impacto da intoxicação digital. As telas funcionam como um vórtex do qual pessoas, principalmente jovens, têm dificuldade em escapar. E qual é a solução identificada? Os livros e a leitura", explicou.
Segundo o gerente, muitos lares passaram a enxergar a leitura como instrumento eficaz para diminuir a dependência de aparelhos eletrônicos, promovendo simultaneamente estímulos diferentes no aprendizado e diversão.
Até a geração Z, frequentemente caracterizada pelo engajamento intenso em redes sociais e ferramentas tecnológicas, voltaria a visitar livrarias com regularidade. "Podemos dizer que eles retornam. Os responsáveis se preocupam agora, trazendo seus filhos pequenos mais frequentemente", declarou.
Cerqueira enfatiza o papel estratégico do estímulo à leitura desde as primeiras idades. Disponibilizar livros desde a infância, conforme sua perspectiva, contribui significativamente para estabelecer uma ligação equilibrada com a tecnologia e solidificar preferência por leitura.
"A questão educacional começada no nascimento, ofertando isso ao filho, possibilitando experiência com publicações, narrativas, prosa. Tudo colabora para reconstruir essa geração Z", destacou.
Após vinte e cinco anos dedicados ao comércio de livros, Cerqueira convida-nos a redirecionar perspectivas: longe de obsolescência, o livro impresso ganha espaço recuperado justamente como reação aos problemas crescentes ocasionados pelo consumo intenso de dispositivos digitais.
"Esse movimento está ocorrendo, está sendo reabilitado, com pais e responsáveis buscando salvar essa geração que se perdia nas telas", concluiu.
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