- Pela Redação
- 29/05/2023
Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia identificou que aproximadamente três entre dez crianças e adolescentes avaliados apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com hipertensão. No Estado de Mato Grosso, o índice alcança 28,3%, acendendo um sinal de alerta para uma condição comumente associada à população adulta e idosa.
Embora rotineiramente se monitore peso, altura, crescimento e status vacinal das crianças, a pressão arterial frequentemente não recebe a mesma prioridade nos atendimentos pediátricos. Recomenda-se realizar a medição a partir dos 3 anos de idade, procedimento capaz de detectar anomalias que, sem devida supervisão, podem comprometer o funcionamento do coração, rins e demais órgãos ao longo da existência.
A falta de conhecimento por parte dos pais e a desatenção de certos profissionais da saúde preocupam especialistas, pois a hipertensão caracteriza-se por ser assintomática, podendo permanecer despercebida durante longos períodos.
Leandro Oliveira, pai de três filhos, desconhecia a relevância desse cuidado preventivo na infância. Com José Lucca, 10 anos, Ana Liz Machado, 7 anos, e Maria Eduarda, 11 anos, ele relata que nos primeiros anos, o acompanhamento médico era responsabilidade principalmente materna. Agora que os filhos estão maiores, participa com maior frequência das consultas, porém confessa nunca ter dado importância à aferição da pressão arterial. Ao tomar conhecimento de que a medição é orientada desde os 3 anos, Leandro se compromete em verificar se o procedimento é executado nas consultas dos filhos e pretende transmitir essa informação a outros pais, reconhecendo que o tema necessita maior divulgação junto às famílias.
De acordo com Max Lima, cardiologista, a ausência de sinais clínicos não garante que a pressão elevada seja segura. Mesmo durante a infância, pode provocar modificações corporais silenciosas antes que manifestações iniciais sejam detectadas. A hipertensão possui capacidade de atuar por extensos períodos sem demonstrar sintomatologia.
A detecção antecipada mostra-se imprescindível para prevenir consequências adversas no futuro, devendo a avaliação da pressão arterial constituir rotina fundamental do acompanhamento pediátrico.
O médico reconhece que durante consultas infantis, a verificação de pressão pode ser negligenciada, seja por concentração em outras avaliações ou limitações técnicas para realizar a medição corretamente em menores. Apesar disso, enfatiza que os responsáveis devem supervisionar esse procedimento e questionar os profissionais sobre os resultados obtidos. Conforme afirma, a hipertensão infantil não deveria ser diagnosticada apenas quando complicações já se estabeleceram, mas identificada preventivamente.
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