Hipertensão atinge 28,3% de crianças e adolescentes em Mato Grosso

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia revela que quase um terço dos jovens avaliados apresenta pressão arterial elevada.



Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia identificou que aproximadamente três entre dez crianças e adolescentes avaliados apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com hipertensão. No Estado de Mato Grosso, o índice alcança 28,3%, acendendo um sinal de alerta para uma condição comumente associada à população adulta e idosa.

Embora rotineiramente se monitore peso, altura, crescimento e status vacinal das crianças, a pressão arterial frequentemente não recebe a mesma prioridade nos atendimentos pediátricos. Recomenda-se realizar a medição a partir dos 3 anos de idade, procedimento capaz de detectar anomalias que, sem devida supervisão, podem comprometer o funcionamento do coração, rins e demais órgãos ao longo da existência.

A falta de conhecimento por parte dos pais e a desatenção de certos profissionais da saúde preocupam especialistas, pois a hipertensão caracteriza-se por ser assintomática, podendo permanecer despercebida durante longos períodos.

Leandro Oliveira, pai de três filhos, desconhecia a relevância desse cuidado preventivo na infância. Com José Lucca, 10 anos, Ana Liz Machado, 7 anos, e Maria Eduarda, 11 anos, ele relata que nos primeiros anos, o acompanhamento médico era responsabilidade principalmente materna. Agora que os filhos estão maiores, participa com maior frequência das consultas, porém confessa nunca ter dado importância à aferição da pressão arterial. Ao tomar conhecimento de que a medição é orientada desde os 3 anos, Leandro se compromete em verificar se o procedimento é executado nas consultas dos filhos e pretende transmitir essa informação a outros pais, reconhecendo que o tema necessita maior divulgação junto às famílias.

De acordo com Max Lima, cardiologista, a ausência de sinais clínicos não garante que a pressão elevada seja segura. Mesmo durante a infância, pode provocar modificações corporais silenciosas antes que manifestações iniciais sejam detectadas. A hipertensão possui capacidade de atuar por extensos períodos sem demonstrar sintomatologia.

A detecção antecipada mostra-se imprescindível para prevenir consequências adversas no futuro, devendo a avaliação da pressão arterial constituir rotina fundamental do acompanhamento pediátrico.

O médico reconhece que durante consultas infantis, a verificação de pressão pode ser negligenciada, seja por concentração em outras avaliações ou limitações técnicas para realizar a medição corretamente em menores. Apesar disso, enfatiza que os responsáveis devem supervisionar esse procedimento e questionar os profissionais sobre os resultados obtidos. Conforme afirma, a hipertensão infantil não deveria ser diagnosticada apenas quando complicações já se estabeleceram, mas identificada preventivamente.

0 Comentários

Faça um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados* *

Veja Também