- Pela Redação
- 29/05/2023
A exuberante floração dos ipês-brancos e amarelos que embelezam as avenidas de Sorriso representa muito mais que um espetáculo visual. O fenômeno natural, que ocorre entre julho e setembro, marca também o momento ideal para a coleta de sementes destinadas à produção de mudas nativas. Esse material será processado no Viveiro "Cultivando Vida Sustentável", localizado no campus do Instituto Federal de Mato Grosso em Sorriso, através de uma parceria estratégica com a Associação Clube Amigos da Terra.
O ciclo biológico das árvores está intimamente ligado às condições climáticas da região. Durante o período seco do Cerrado mato-grossense, o estresse hídrico associado ao calor intenso funciona como um gatilho natural para o florescimento, estimulando a reprodução e perpetuação das espécies arbóreas.
Bruna Estela Valério, engenheira florestal responsável pela gestão técnica do viveiro, destaca a importância do monitoramento contínuo: "Acompanhamos as espécies que produzimos e observamos quando começa o período de produção de sementes. Assim que isso acontece, iniciamos a coleta".
O aproveitamento das mudas cultivadas está direcionado para a revitalização das nascentes do rio Tenente Lira. Desde o lançamento do projeto Águas do Lira – Seja Amigo de uma Nascente em 2020, mais de 15 mil mudas foram plantadas estrategicamente ao longo da bacia hidrográfica do rio.
Anualmente, o viveiro diversifica sua produção entre 20 e 23 espécies nativas diferentes. Além dos ipês, estão incluídas no portfólio de reflorestamento espécies como jatobá, angico, cedro, mirindiba e copaíba. Enquanto parte das sementes é coletada localmente pelas equipes técnicas, outra parcela é adquirida para complementar a capacidade produtiva do viveiro.
Bruna Valério ressalta que a coleta regional é fundamental para validar a qualidade do material genético e identificar árvores saudáveis, garantindo que as mudas produzidas estejam perfeitamente adaptadas às condições ambientais específicas da região de Sorriso.
Com a chegada da estação chuvosa no final do ano, o projeto Águas do Lira intensifica seus esforços para revitalizar outras 15 nascentes. Um levantamento recente revelou que, de um total de 60 nascentes com algum grau de degradação identificado, 14 já foram recuperadas e encontram-se preservadas sob monitoramento contínuo das equipes especializadas.
A recuperação de uma nascente é um processo que demanda paciência e dedicação profissional. Em média, de três a cinco anos são necessários para que os benefícios da intervenção se consolidem completamente. O plantio de espécies nativas funciona como ferramenta estratégica nesse processo, pois a vegetação estabelece um papel protetor dos recursos hídricos, agindo como filtro natural que diminui a chegada de sedimentos e contaminantes à água.
Everton José de Almeida, engenheiro florestal e docente do IFMT Campus Sorriso, explica o mecanismo de proteção: "As raízes e a própria parte aérea das espécies vegetais servem como uma barreira física, retendo sedimentos e impedindo que cheguem à nascente ou ao corpo d'água, reduzindo significativamente a quantidade de material prejudicial".
Além de salvaguardar os recursos hídricos, as raízes contribuem para manter o solo estável e bem estruturado, diminuindo a vulnerabilidade à erosão. A cobertura vegetal também funciona como proteção natural contra o impacto direto das precipitações, colaborando para a manutenção da integridade do solo e conservação da água.
Cristina Delicato, CEO do CAT Sorriso, reforça o significado dessa iniciativa: "Cada nascente recuperada representa um compromisso compartilhado entre o campo e a cidade com a sustentabilidade e com o futuro de Sorriso, que possui nascentes tanto em áreas rurais quanto urbanas".
Conheça o CAT Sorriso
Estabelecida por produtores rurais, a Associação Clube Amigos da Terra é uma organização sem fins lucrativos que, ao longo de 24 anos, dedica-se à promoção da evolução sustentável do setor agropecuário. Sua atuação baseia-se em inovação, disseminação de conhecimento científico e adoção de práticas que harmonizam produtividade com conservação ambiental.
Seus projetos abrangem agricultura regenerativa, plantio direto, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de Áreas de Preservação Permanente e educação ambiental comunitária. A associação mantém compromisso com transparência em suas operações, valoriza as populações rurais e desenvolve iniciativas focadas na preservação ambiental com resultados mensuráveis e impactantes.
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