- Pela Redação
- 29/05/2023
O sistema de saúde pública de Cuiabá enfrenta uma crise significativa no atendimento de saúde mental. Conforme dados do Portal da Transparência Regulação SUS-MT, mais de 24 mil pessoas estão na fila aguardando consultas com psicólogos e psiquiatras. Deste montante, aproximadamente 16,8 mil solicitações referem-se a atendimento psicológico, enquanto o tempo médio de espera ultrapassa um ano e sete meses.
A situação é especialmente grave entre crianças e adolescentes. O caso mais alarmante envolve uma criança que foi encaminhada em fevereiro de 2022, quando tinha apenas nove anos de idade, e ainda aguarda atendimento. Na época, seu caso foi classificado como risco amarelo, indicando urgência. Os 100 pedidos mais antigos para psicólogos, todos registrados entre fevereiro e abril de 2022, destinam-se especificamente ao atendimento pediátrico. Destes, 35 foram classificados como urgência e 15 como emergência.
Para psiquiatria, a situação também é crítica. O pedido mais antigo também provém de uma criança, solicitado em abril de 2022. Entre os 100 primeiros encaminhamentos, 32 foram marcados como urgência e diversos como emergência. A falta de profissionais e a limitada capacidade da rede pública agravaram a situação nos últimos anos.
Luciana, 40 anos, relata a dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental na capital. Após quatro anos de acompanhamento psiquiátrico pela rede municipal, seu médico foi transferido e seu tratamento foi interrompido. Encaminhada a uma Unidade Básica de Saúde, ela recebeu uma referência para psicólogo, mas continua aguardando uma consulta há seis meses. "Em Cuiabá, a ajuda para saúde mental é praticamente inexistente. Não temos para onde recorrer", desabafa ela, que apresenta histórico de alucinações, crises depressivas e ansiedade generalizada.
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