- Pela Redação
- 29/05/2023
A intersecção entre manifestações coreográficas, contexto histórico e questões raciais fundamenta "Dança da Arraya-Miúda: racialidade e cultura histórica sobre o siriri nas narrativas de jovens dançarinos e estudantes", publicação assinada pela pesquisadora, docente e artista da dança Mariana Destro Marioto. O lançamento acontecerá nesta sexta-feira (21), às 17h30, no Cine Teatro Cuiabá, inserido na programação do Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro.
O evento funciona com entrada franca e destina-se a toda a comunidade, abrangendo estudiosos, acadêmicos, membros de coletivos de danças tradicionais e profissionais nas áreas de artes e patrimônio cultural regional. No dia do pré-lançamento, visitantes poderão adquirir cópias da obra.
Nascida de uma dissertação de mestrado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a publicação ganhou forma através de programa de fomento financiado por investimentos governamentais destinados à cultura.
A investigação utiliza o siriri como ponto de partida para examinar aspectos fundamentais no processo histórico dessa expressão cultural, particularmente as dinâmicas raciais e a forma como jovens praticantes e aprendizes constroem e comunicam seus conhecimentos sobre ela. O estudo combina fontes documentais, relatos coletados junto a dançarinos e metodologias pedagógicas aplicadas em contexto escolar.
Conforme explica a autora, o impulso investigativo emergiu de sua trajetória pessoal como integrante de grupos de danças regionais. Ao longo de anos como dançarina em coletivos e espaços informais, observou interpretações recorrentes das danças locais fundamentadas na noção de fusão cultural entre populações originárias, diaspóricas africanas e colonizadores europeus. O convívio com o coletivo Flor do Campo, constituído predominantemente por pessoas negras, motivou-a a aprofundar o exame da presença negra nestas narrativas históricas.
A nomenclatura "Dança da Arraya-Miúda" provém de acervo documental identificado durante as pesquisas. O termo "arraya-miúda" aparecia em registros antigos designando segmentos populares vinculados a expressões como samba, siriri e cururu. Ao recuperar esta nomenclatura, a pesquisadora posiciona no protagonismo sujeitos e práticas culturais frequentemente marginalizados nas construções narrativas tradicionais.
Para Marioto, o volume representa simultaneamente uma demonstração de que investigação histórica ilumina a compreensão das práticas corporais, assim como as próprias manifestações dançantes revelam dimensões do passado. O objetivo envolveu traduzir produção científica especializada em linguagem democratizada, fomentando reflexões inovadoras sobre expressões coreográficas tradicionais e o legado documentado de Mato Grosso.
A pesquisadora é doutoranda e mestre em História pela instituição federal, participante do Grupo Pesquisador em Educação Histórica (GPEDUH/UFMT) e desenvolve investigações focalizando manifestações coreográficas populares e suas conexões com processos formativos escolares. Atuando simultaneamente como docente e bailarina, trabalha com balé erudito, criação contemporânea e expressões dançantes tradicionais. O estudo que originou a publicação recebeu orientação do professor Marcelo Fronza. Está prevista também a realização de documentário audiovisual, em fase de produção.
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