- Pela Redação
- 29/05/2023
Profissionais que ainda não possuem regulamentação formal no estado trabalham em condições precárias, dividindo tempo entre gramados deteriorados, estádios sem infraestrutura adequada e vestiários insalubres, enquanto sofrem desrespeito de torcedores, dirigentes e jogadores durante as competições.
Desvinculados da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), os árbitros dependem integralmente dos cachês por partida para complementar a renda familiar. Quando os pagamentos atrasam ou não chegam, muitos precisam desembolsar recursos próprios para honrar compromissos, tornando a situação financeira insustentável.
A arbitragem estadual enfrenta uma grave crise provocada pela má gestão administrativa da FMF. Sem patrocinadores para cobrir despesas operacionais, a entidade acumula débitos que podem inviabilizar todo o calendário de 2027, cujo pontapé inicial estava marcado para 9 de janeiro com o Campeonato Mato-Grossense.
Investigações realizadas demonstram que o atraso de taxas e diárias, incluindo reembolsos de deslocamentos, pode levar a entidade ao colapso e até à suspensão das atividades programadas.
Apenas em 2026, cinco árbitros já solicitaram desligamento dos quadros de arbitragem, refletindo o clima de insatisfação com as condições laborais e a administração deficiente da federação.
Com a aproximação do Mato-Grossense 2027, as desistências de árbitros expõem fragilidades no planejamento da arbitragem, falta de valorização profissional e questionamentos sobre as ações que a FMF adotará para conter novas perdas.
Atualmente a Federação Mato-grossense de Futebol conta com apenas 26 árbitros e 19 assistentes que se distribuem entre o Campeonato Mato-Grossense, Estadual Segunda Divisão, Estadual Feminino, competições de base e Copa FMF, programada para encerrar em 10 de novembro.
No ano anterior, o presidente recém-eleito Diogo Pécora já enfrentava problemas similares. Já deixaram a instituição Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.
Árbitros Desembolsam Recursos Próprios para Trabalhar
Os débitos da Federação Mato-grossense de Futebol com os integrantes do quadro de arbitragem ultrapassam R$ 250 mil. Além de estar impedida de obter certidão negativa por inadimplência junto à Secel, a entidade acumula passivos ainda maiores com árbitros e assistentes.

Levantamentos indicam que mais de 250 jogos geraram pendências superiores a R$ 250 mil, e o cenário agrava-se pelo fato de árbitros e assistentes arcarem com despesas de deslocamento de seus próprios recursos.
A prática consolidada ao longo dos anos obriga árbitros a custearem viagens com posterior reembolso. Contudo, o retorno dos valores não se materializa regularmente.
Sem vínculo empregatício com a federação, os árbitros recebem conforme quilometragem em deslocamentos com veículo próprio. A taxa está fixada em R$ 1,80 por quilômetro, variando conforme distância percorrida. Uma viagem Cuiabá-Sorriso, com aproximadamente 860 km, pode custar até R$ 1.548,00. Desde julho o valor foi reduzido para R$ 1,00/km, aumentando para R$ 1,50/km em trajetos compartilhados.
Desistências Aumentam em Razão dos Atrasos
Os atrasados em pagamento de taxas e diárias provocam evasão crescente de árbitros da FMF. A Copa FMF consegue prosseguir apenas porque alguns profissionais mantêm atividades apesar da crise, acreditando em promessas de regularização futura.
Árbitros como Luiz Paulo de Moura Pinheiro e Eleniel Benedito da Silva, integrantes da nova geração de apitadores, resolveram não mais atuar sem receber os valores devidos.
A Portaria nº 025/2026, assinada em 23 de julho pelo presidente Diogo Pécora, estabeleceu valores de taxas e diárias para árbitros e assistentes da FMF.
Conforme o documento, a taxa de arbitragem alcança R$ 300 por jogo para árbitro, R$ 180 para cada assistente, R$ 150 para quarto árbitro e R$ 100 para supervisor, totalizando R$ 730 por partida.
As diárias para hospedagem e refeições oscilam entre R$ 100, para localidades próximas, e R$ 390, para regiões mais distantes.
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