- Pela Redação
- 29/05/2023
Uma artista de 32 anos registrou ocorrência na polícia após sofrer abordagem agressiva e discriminatória de um turista estrangeiro enquanto trabalhava em um local noturno de Morro de São Paulo, distrito do município de Cairu no baixo sul baiano. A situação ocorreu na noite de quarta-feira (5) e viralizou nas redes sociais quando a profissional compartilhou registros do acontecido.
Conforme relato de Renata Nascimento à TV Bahia, um visitante italiano com 53 anos iniciou abordagens enquanto ela se apresentava musicalmente. Em vídeo registrado pela própria artista, o indivíduo aparece pronunciando: "Eu quero você. Qual é o seu valor?"
Em depoimento para a emissora local, Renata narrou que tentou ignorar as investidas do turista, porém percebeu insistência contínua na abordagem. Segundo seu relato, o italiano apontava seu aparelho celular em sua direção enquanto a chamava de "escrava" em duas ocasiões distintas.
"Como ele tentava interagir comigo e eu não olhava, apontou o celular na minha direção e falou 'escrava' duas vezes. Como se estivesse mandando eu prestar atenção nele", descreveu.
A cantora explicou que optou por documentar o incidente com objetivo de obter comprovação. Utilizou um suporte para posicionar seu celular próximo ao microfone e prosseguiu sua apresentação enquanto observava a aproximação do homem.
"Compreendi que precisava registrar em vídeo aquela cena, pois de outra forma sairia dali sem ter documentação do ocorrido", relatou.
Conforme Renata, o homem deixou sua mesa inicial e se posicionou nas proximidades dela. Teria virado sua cadeira para sua direção, mantido contato visual constante e persistido na tentativa de interação.
"Chegou o momento em que começou a indagar meu valor de forma sexual, porque desejava obter um objeto de prazer para si próprio e, infelizmente, tornei-me alvo dessa situação constrangedora", afirmou.
A artista também informou que colaboradores do espaço já haviam identificado a conduta inadequada do visitante. Garçons comunicaram que o turista estava acompanhado de uma mulher e que havia direcionado palavras ofensivas racistas contra ela, referindo-se à cor da pele dela. A acompanhante havia saído do local anteriormente às agressões direcionadas à cantora.
A Polícia Militar foi solicitada após relatos de funcionários e frequentadores sobre as palavras discriminatórias. De acordo com a corporação, militares do 31º Batalhão localizaram o indivíduo e conduziram tanto o acusado quanto a vítima até a Delegacia Territorial de Valença.
Segundo informações da Polícia Civil, o visitante foi autuado por flagrante delito nas acusações de assédio sexual e discriminação baseada em raça.
O suspeito permaneceu sob custódia até o comparecimento em audiência de custódia, realizado na quinta-feira (6). Naquela ocasião, a 1ª Vara Criminal do Foro de Valença determinou sua manutenção preventiva sob prisão.
Considerando a nacionalidade italiana do detido, uma profissional tradutora foi designada para converter as alegações em tempo real. A sentença judicial também foi traduzida para o idioma italiano.
A deliberação que definiu a prisão preventiva considerou o fato de que o turista já estava cumprindo pena em regime semiaberto por crime diverso.
Conforme comunicado do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o indivíduo havia sido beneficiado por decisão da 1ª Vara de Crimes de Tráfico da Comarca de Salvador. As restrições impostas incluíam proibição de frequentar bares, estabelecimentos noturnos e similares, além de vedação ao consumo de bebidas alcoólicas.
O TJ-BA informou que a condenação pretérita está ligada a um episódio de 2013, quando o italiano supostamente organizou uma sessão de experimentação de cocaína.
Para o magistrado Cidval Santos Sousa Filho, responsável pela decisão, o novo episódio indicava possibilidade de reincidência criminal e não cumprimento das determinações judiciais. O estrangeiro foi encaminhado ao Conjunto Penal de Valença.
Durante seu depoimento à TV Bahia, Renata contou ter vivenciado situações equivalentes anteriormente, mas que tais ocorrências não resultaram em ações judiciais pelo fato de ela não ter conseguido obter comprovação das agressões.
"Atravessei por ocasiões desse tipo antes e nada ocorreu contra meus agressores justamente porque eu estava emocionalmente abalada e não conseguia filmar", relatou.
Para ela, ter documentado componentes dessa abordagem mostrou-se decisivo para que o incidente pudesse ser levado à atenção das autoridades competentes.
"Por ter passado por essas vivências, consegui manter a serenidade e reuni documentação para permitir que a Justiça agisse contra ele", declarou.
Este incidente ocorreu pouco menos de trinta dias após outro episódio envolvendo um indivíduo estrangeiro no mesmo destino turístico.
Durante o mês anterior, um visitante argentino foi submetido a procedimento investigativo por acusação de injúria racial subsequente a um incidente em um restaurante local. Conforme apuração, o episódio se deu durante partida das semifinais da Copa do Mundo. O Poder Judiciário ordenou a detenção preventiva do argentino, identificado como Sebastian Fernando Ayala.
O acusado abandonou o território brasileiro horas depois do episódio e rumou para Buenos Aires. O indivíduo encontra-se na condição de foragido. A redação tentou estabelecer contato com seus representantes jurídicos, contudo foi infrutífera até o derradeiro momento.
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