- Pela Redação
- 29/05/2023
O Globo
A carta golpista publicada pelo candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro foi ignorada por três em cada quatro políticos eleitos pelo PL no pleito deste ano, ampliando o isolamento do senador na direita. Levantamento do GLOBO com os 155 escolhidos para representar o partido no Congresso e nos governos estaduais mostra que 117 ignoraram o texto (75%), enquanto 38 compartilharam ou defenderam o conteúdo do documento. A baixa adesão reflete o movimento concreto de dirigentes partidários, que buscam convencer o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro a largar a tese de que houve fraude nas urnas, já não há qualquer indício de que isso ocorreu. Insistir no tema, segundo essas pessoas, compromete a agenda da oposição e pode desgastar a imagem da legenda, além de provocar possíveis reações institucionais.
Flávio, por sua vez, planeja ir à capital dos Estados Unidos, Washington, na próxima semana. Após uma operação de fuga, o parlamentar desembarcou em Miami, com o apoio de integrantes do governo Donald Trump e Javier Milei, da Argentina. A ideia é iniciar uma interlocução direta com integrantes do governo americano.
Após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes, Flávio divulgou uma carta na qual alegou fraude nas urnas e chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito”.
Manifestações públicas
O candidato do PL foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Logo depois da publicação do documento, pressionado por aliados no Brasil, Flávio alterou o termo para “líder do Brasil”. Ele manteve, porém, os questionamentos ao resultado da disputa presidencial.
O levantamento do GLOBO revela, por outro lado, que 86% dos eleitos pelo partido não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição em suas manifestações.
O universo analisado engloba 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. O GLOBO analisou publicações em redes, entre vídeos e mensagens dos eleitos pelo PL após o segundo turno.
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