- Pela Redação
- 29/05/2023
A imposição de uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos deve se transformar em um dos principais temas da disputa presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principais concorrentes na corrida ao Palácio do Planalto, pretendem utilizar a medida e suas repercussões econômicas como eixo central de suas campanhas.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, implementou a recomendação do Escritório do Representante de Comércio (USTR) e estabeleceu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos exportados do Brasil. O anúncio ocorreu na noite de quarta-feira (15/7), com previsão de entrada em vigor em 22 de julho.

Arte Metrópoles
Uma extensa relação de produtos foi mantida fora da sobretaxa, entre eles carne, café e suco de laranja. As tarifas resultam de investigação do USTR acerca de políticas brasileiras que, conforme avaliação do governo norte-americano, prejudicam o comércio dos Estados Unidos.
Membros das campanhas de Lula e Flávio reconhecem que a questão será explorada intensamente durante todo o período eleitoral. Apesar de reuniões e esforços diplomáticos do Itamaraty visando evitar a taxação, o governo brasileiro já operava com a expectativa de confirmação da decisão e buscava desvincular a medida da atuação do Planalto.
No Palácio do Planalto, predomina a avaliação de que a tarifa possui motivação política e foi fomentada por integrantes e simpatizantes da família Bolsonaro. Com a formalização da decisão, a equipe de Lula prepara ofensiva para vincular a sobretaxa à influência do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A tática consiste em afirmar que aliados da família contribuíram para deterioração das relações Brasil-Estados Unidos e influenciaram a adoção das sanções comerciais. O círculo próximo de Lula intensificará o emprego do termo "Tariflávio", buscando associar o senador à decisão norte-americana.
A ofensiva também deve reforçar críticas à atuação de apoiadores de Flávio em Washington, argumentando que figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pressionaram o governo norte-americano a adotar punições contra o Brasil.
O PT ainda planeja ampliar referências a Flávio como "traidor da pátria" e explorar suas viagens aos Estados Unidos, onde encontrou-se com Trump e autoridades governamentais norte-americanas, além de participar de audiência promovida pelo USTR.
Na visão de aliados de Lula, Flávio exerceu papel significativo na decisão norte-americana. O grupo também pretende evidenciar que ao tentar se desvincularse da sobretaxa, o senador defendeu o adiamento da vigência das tarifas para evitar que seus efeitos atingissem a campanha antes da eleição.
A equipe presidencial considera que este episódio se soma a uma sequência de desgastes enfrentados por Flávio em meses recentes, incluindo revelação de financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro, exposição de conflito com Michelle Bolsonaro e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo o presidente nacional do PL.
Nesta quinta-feira (16/7), o PT distribuiu orientação à militância para explorar o tema em redes sociais, afirmando: "Vamos mostrar a origem desse ataque à nossa soberania: a família Bolsonaro e seus aliados".
Do lado contrário, a campanha de Flávio Bolsonaro adotará estratégia de responsabilizar o governo Lula pela decisão norte-americana. Segundo sua avaliação, a sobretaxa resulta da condução de política externa pelo Planalto. Integrantes da equipe resumem a orientação: "Dizer que a culpa da tarifa é do PT".
Membros do grupo afirmam que Flávio intensificará o uso da expressão "Partido do Tarifaço" para se referir ao PT, tentando associar a sobretaxa ao governo Lula. O senador também reforçará discurso de que atuou para impedir a adoção das tarifas.
A tática será sustentar que sua viagem aos Estados Unidos tinha o objetivo específico de tentar barrar a medida. Flávio reiterará que a decisão de Trump decorreu dos atritos criados por Lula com o presidente norte-americano e da deficiência de articulação diplomática do governo brasileiro com o USTR.
Reservadamente, porém, integrantes da campanha admitem que o timing da decisão prejudica o senador, que enfrenta, conforme avaliação do próprio grupo, uma "tempestade perfeita".
A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest ampliou as preocupações da campanha. Embora publicamente minimizem os números, integrantes do grupo avaliam que o levantamento reforçou diagnóstico já estabelecido internamente: Flávio não conseguiu expandir seu eleitorado além da base bolsonarista nem conquistar eleitores moderados.
Segunda avaliação de aliados, a estratégia adotada durante pré-campanha não rendeu os resultados esperados. Conforme a pesquisa, Lula ampliou sua vantagem sobre Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno, liderando com 40% contra 28% de Flávio na primeira volta, e 45% contra 37% em eventual segundo turno.
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