- Pela Redação
- 29/05/2023
O partido Missão realizou, neste sábado (1º), o lançamento oficial da candidatura presidencial de Renan Santos. Durante o evento em São Paulo, o empresário teceu críticas contundentes ao presidente Lula (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos pré-candidatos à presidência, e destacou propostas de segurança pública como eixo central de seu projeto.

Santos rejeitou a categorização de sua candidatura como integrante da chamada terceira via, descrevendo-a como uma "oposição da oposição". Segundo o candidato, o Missão segue uma trajetória independente.
"Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação", declarou.

O pré-candidato, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), também se posicionou contra o rótulo de "antipetista". Na ocasião, afirmou que sua oposição não se define simplesmente em contraste com Lula.
"Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: 'veja só, eu sou o oposto do Lula'. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera", comentou.
"Estamos há décadas vivendo a noite do petismo. Eu volto a afirmar: a afirmação é a luz. E a luz está presente nessa cor. A luz são as nossas ideias. A luz é a nossa coragem", prosseguiu Renan.
O candidato também classificou Flávio Bolsonaro como "farsante" e "corrompido", argumentando que o senador está sendo preparado para fracassar nas eleições.
"São semanas para que a gente tire Flávio do segundo turno e para que o Lula vire seus canhões malditos contra nós, os mesmos canhões que eles viraram contra nós no impeachment [da presidente Dilma Rousseff (PT)]. Não há energia nos demais candidatos. Já estamos em terceiro [lugar] e subindo", afirmou.
Conforme pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho, Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto no 1º turno, tecnicamente empatado com outros pré-candidatos. Lula lidera com 40%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 32%.

Esta configura a primeira disputa presidencial tanto para Renan Santos quanto para a legenda Missão, constituída por dissidentes do MBL. Durante o evento, a sigla também apresentou seus candidatos aos governos estaduais e lançou o "Livro Amarelo", um documento contendo propostas de governo.
A segurança pública e o enfrentamento ao crime organizado constituem os temas prioritários da candidatura de Renan.
"Vocês vão comprar seu celular. Vocês vão comprar a sua casa. Vocês vão comprar seu carro. Vocês vão comprar seu celular", afirmou o candidato. "E ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar."

Entre as metas apresentadas por Renan no evento estão:
De acordo com Santos, os desafios do Brasil decorrem de falta de ambição coletiva. "Eu vi gente maravilhosa em todas as regiões do Brasil. Eu amei cada canto do Brasil. Todas as críticas que eu fiz ao Pará foram para melhorar o Pará", mencionou.
"Todas as favelas que eu vi e critiquei foi para que as pessoas pudessem sonhar e não mais viver numa favela, não aceitar mais ser tratado como bicho", acrescentou.
Renan também expressou intenção de resgatar um programa espacial brasileiro e implementar programa de desenvolvimento de armas nucleares. "Eu quero que o Brasil pense em construir não apenas armas nucleares, mas aviões de guerra de última geração, usando as nossas próprias terras raras".
"Eu quero botar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU não porque pediu por favor, mas porque o mundo depende da gente", ressaltou.
O candidato também rememorou a criação do MBL há 12 anos. "Eu acredito em predestinação e que o destino o tempo todo olhou para nós e nos testou. Nos testou durante o impeachment".
Renan havia sido oficializado como candidato em 20 de julho por meio de evento online e sem transmissão ao vivo. Na ocasião, explicou que a estratégia resultou de orientações da equipe de segurança em razão de ameaças atribuídas a facções criminosas.
Aroldo Medina, militar da reserva, foi apresentado como candidato a vice. O militar discursou primeiro no evento, que iniciou aproximadamente às 14h20.
Medina reforçou o tema segurança, afirmando intenção de realizar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.
"Vou ligar para o presidente Renan Santos e vou dizer: 'presidente, pronto, dê o sinal verde'. Vamos botar aquela bandidagem toda a correr e inauguraremos uma nova era de ordem e progresso para o Brasil", declarou Medina.
"O choque de lei e ordem que será dado neste país não tem precedente", afirmou o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), cofundador do MBL.
Amanda Vettorazzo (União Brasil), coordenadora da campanha, qualificou Renan como "líder de sua geração" e destacou apoio eleitoral de jovens. "Diferentemente do que falam, que os jovens escolhem mal, não, os jovens estão escolhendo bem. As outras gerações é que ainda não entenderam o recado", comentou.
O Missão apresentou seus candidatos aos governos de nove estados: André Luís, no Maranhão; Ben Mendes, em Minas Gerais; Breno Barcelos, no Espírito Santo; Coronel Busnello, no Rio de Janeiro; Huggo Leonardo, no Ceará; Luiz França, no Paraná; Marcelo Brigadeiro, em Santa Catarina; Rafaell Milas, no Mato Grosso; e Renan Hallais, em Pernambuco. Todos discursaram na ocasião.
Os ingressos para o evento custaram entre R$ 174 e mais de R$ 7 mil. Conforme integrantes do partido, os recursos destinam-se à legenda e contribuem para financiamento de campanhas.
O evento também marcou o lançamento do "Livro Amarelo", documento que apresenta o projeto governamental do Missão.
Segundo Kataguiri, a publicação aborda propostas em áreas como segurança pública, competitividade, defesa e meio ambiente. A versão básica custa R$ 140.
Orlando Lima, coordenador do projeto, descreveu a publicação como fundação de "um projeto para governar, reconstruir e civilizar. É algo que redefinirá a posição do Brasil no mundo, e a posição de vocês no Brasil".
O livro divide-se em 14 capítulos distribuídos em três volumes. O primeiro apresenta propostas para eliminar políticas e legados considerados negativos pelo grupo. Entre elas, um ajuste fiscal avaliado em R$ 3,3 trilhões, descrito como "maior do que o Plano Real".
Os dois volumes seguintes contêm propostas para "destravar o país e construir a civilização tropical". "O que nós temos, além de boas ideias, é coragem de imaginar um Brasil melhor", afirmou Pedro D'eyrot, também cofundador do MBL. Ele citou iniciativas para "recuperar o soft power brasileiro", zerar a fila do SUS e realizar reformas na educação.
Kataguiri também anunciou a criação do Instituto Livro Amarelo. "A gente vai garantir que os nossos candidatos a prefeito, os nossos candidatos ao governo do Estado, ao Senado, ao Congresso, em todas as esferas, tenham um programa sólido para defender".
Renan Santos possui 42 anos, é ativista político, empresário e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre.
Entre 2015 e 2016, participou de manifestações que reivindicavam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, incluindo a denominada "Marcha pela Liberdade", que percorreu de São Paulo a Brasília.
Natural de São Paulo, cursou direito na Universidade de São Paulo (USP), sem completar a formação.
Juntamente com demais integrantes do MBL, fundou o partido Missão. A legenda recebeu registro da Justiça Eleitoral no final do ano passado. Até o momento, não comunicou alianças com outras legendas para as eleições de 2026.
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