- Pela Redação
- 29/05/2023
A empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, faleceu após submeter-se a cirurgia plástica facial. Conforme apurado pela TV Anhanguera, ela realizou seis procedimentos no rosto, incluindo uma ritidoplastia profunda e lipoaspiração no pescoço. A irmã da vítima informou que os procedimentos representavam um sonho antigo e que a paciente investiu uma quantia significativa no trabalho. Ela também destacou que a instituição médica não possuía Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Os procedimentos cirúrgicos tiveram duração superior a oito horas. Durante a intervenção, foram realizados reposicionamento de tecidos e músculos, alteração da linha do cabelo e reajuste do queixo. Além disso, houve remoção de excesso de pele e bolsas de gordura nas pálpebras, bem como extração de gordura do pescoço e mandíbula. A paciente também recebeu um transplante de células-tronco autólogas.
Djiane Vieira, irmã da empresária, afirmou que os procedimentos eram o desejo de longa data da irmã e ressaltou o alto valor investido. Ela desabafou: "A minha irmã pagou R$ 118 mil para entrar linda como era para que ela morresse nos meus braços".
Andreia faleceu em 12 de agosto. Natural da Espanha, onde residia há cinco anos, ela retornou a Goiânia especificamente para realizar o procedimento estético com o médico otorrinolaringologista Lessandro Martins, conforme relato da família.
De acordo com o depoimento de Djiane, a irmã apresentava inchaço severo na língua e não conseguia fechar a boca após a cirurgia. Ela informou ter alertado a equipe médica sobre o estado clínico de Andreia, e a situação piorou aproximadamente seis horas após o procedimento. Conforme revelado pela investigação, exames indicavam que Andreia portava uma bactéria e apresentava um processo infeccioso ativo.
Djiane enfatizou: "O hospital não tinha UTI e ele [o médico] dizia que tinha. Se você entrar nas redes sociais, eles falam que tem lá. Eles não tinham uma ambulância para cuidar da minha irmã". A paciente faleceu duas horas após o início das manobras de reanimação.
Lessandro Martins informou à TV Anhanguera que, em observância ao sigilo profissional, que permanece mesmo após o óbito, não divulgaria dados clínicos publicamente. Em nota oficial, afirmou: "Por imposição do código de ética médica, não serão comentados publicamente dados clínicos, exames ou detalhes do atendimento e que todos os esclarecimentos serão prestados, com total colaboração, aos órgãos competentes".
O Hospital Ankar manifestou pesar pela morte da paciente e informou que ela recebeu atendimento de emergência imediato. A instituição ressaltou que a avaliação e os exames pré-operatórios foram realizados externamente e que toda a documentação relacionada ao atendimento está arquivada e pode ser disponibilizada às autoridades competentes.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que todas as denúncias relacionadas à conduta profissional de médicos são investigadas sob total sigilo, conforme estabelecido pelo Código de Processo Ético-Profissional Médico. O órgão também solicitou esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição mencionada nas denúncias.
O Ministério Público de Goiás comunicou ao g1 que a 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia encaminhou um ofício à 1ª Delegacia Regional de Goiânia solicitando a abertura de inquérito policial para investigar a possível prática de homicídio culposo.
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