- Pela Redação
- 29/05/2023
Enquanto o Brasil segue debatendo a presença de dispositivos móveis nas salas de aula, a inteligência artificial já conquistou espaço significativo no processo educacional. De acordo com o levantamento Pisa 2025, apresentado pela OCDE nesta terça-feira (8), aproximadamente metade dos adolescentes brasileiros de 15 anos utiliza ferramentas como ChatGPT e similares pelo menos uma vez por semana para fins de aprendizagem.
Os números brasileiros são expressivos: 48% dos estudantes fazem uso de chatbots de IA semanalmente para aprender, ultrapassando ligeiramente a média de 46% observada entre os países membros da OCDE. Esta é a primeira vez que o programa internacional inclui essa métrica em sua avaliação.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) realiza análises a cada três anos para medir o desempenho em matemática, leitura e ciências. A inclusão do uso de inteligência artificial representa uma evolução importante na compreensão do cenário educacional contemporâneo.
Quando se trata de pesquisas rápidas sobre temas novos, o distanciamento entre Brasil e OCDE se amplia consideravelmente. Nessa modalidade, 40% dos estudantes brasileiros recorrem à IA, enquanto apenas 31% fazem o mesmo na média dos países da organização. Este é o maior contraste identificado entre todos os tipos de uso avaliados pelo Pisa.
A prática de resumir textos escolares com auxílio de inteligência artificial também é frequente entre os adolescentes brasileiros. Aproximadamente 31% deles utilizam essa funcionalidade, resultado praticamente equivalente aos 30% observados na média da OCDE.
Porém, quando a tarefa envolve a redação completa de trabalhos escolares, o cenário se inverte. Apenas 27% dos alunos brasileiros empregam IA nessa situação, percentual inferior aos 29% registrados na média dos países da OCDE. Além disso, 11% dos estudantes brasileiros afirmam nunca recorrer à tecnologia para atividades acadêmicas, proporção levemente maior que os 14% da média internacional.
Ernesto Martins, pesquisador do instituto Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), ressalta que os dados do Pisa 2025 demandam análises mais aprofundadas sobre o impacto das ferramentas de IA na aprendizagem. O especialista destaca um achado particularmente relevante: a identificação de um padrão de leitura superficial entre os estudantes.
Esse comportamento refere-se a alunos que respondem às questões da prova de forma precipitada e superficial, negligenciando a profundidade na leitura e incorrendo em erros que demandariam maior concentração. Martins sugere que esse hábito pode estar vinculado ao contexto amplo de utilização intensiva de inteligência artificial.
0 Comentários
Faça um comentário