- Pela Redação
- 29/05/2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou conversas mais frequentes com Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, conseguindo pactuações para temas centrais da agenda governamental em um contexto eleitoral. A aproximação entre os três atores políticos resulta de cálculos mútuos que extrapolam as pautas legislativas imediatas.
Os interesses que motivam essa reaproximação envolvem três disputas eleitorais relevantes, todas com potencial de reeleição para os envolvidos. Para Lula, a aprovação de medidas como as Propostas de Emenda à Constituição sobre o fim da jornada 6x1, da Segurança Pública e o fim da tributação sobre compras internacionais de pequeno valor ressoam diretamente com seu eleitorado na campanha por um novo mandato presidencial.

O avanço dessas proposições legislativas ganha destaque especial na campanha petista, sendo apresentadas como realizações históricas para o trabalhador brasileiro. A votação desses temas está prevista para a semana seguinte no plenário do Congresso Nacional, com cronograma acelerado.
Para Motta, a aliança com Lula representa suporte para sua reeleição como deputado federal pela Paraíba. Além disso, o posicionamento do presidente favorece indiretamente a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, que disputa uma vaga no Senado pelo mesmo estado. Embora o PT formalmente apoie apenas João Azevedo para uma das cadeiras senatoriais paraibanas, o alinhamento com Motta facilita um respaldo informal ao progenitor, que compete com Veneziano Vital do Rêgo pela segunda vaga na chapa governista.
Como demonstração concreta desse acordo, Motta comprometeu-se a pautar até quarta-feira a Medida Provisória que elimina a chamada taxa das blusinhas, imposto incidente sobre aquisições internacionais de até 50 dólares. Esse tema possui ampla popularidade e constitui prioridade da estratégia comunicacional do petista.
Outro aspecto relevante é que Motta pode concorrer a dois anos adicionais na presidência da Câmara caso mantenha seu mandato como deputado. Essa permanência dependerá fundamentalmente do apoio do campo governista, especialmente se Lula também conquistar a reeleição presidencial.
Davi Alcolumbre segue lógica semelhante em seus cálculos políticos. Como presidente do Senado em exercício, possui direito de concorrer para o próximo biênio, ambição que expressa abertamente. A permanência de Alcolumbre no comando da Casa é vista como legítima por parcela do Senado. Contudo, nos últimos tempos, o Partido Liberal, que lança Flávio Bolsonaro à presidência, articula estratégia para instalar um senador da agremiação na liderança do Congresso.
Essa mudança de comando beneficiaria significativamente a ala bolsonarista ao possibilitar o avanço de pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Conforme as normas vigentes, unicamente o presidente do Senado possui autoridade para viabilizar a continuidade de pedidos de afastamento de magistrados da Corte Suprema.
A configuração das eleições senatoriais, prioridade declarada em ambos os campos políticos, determinará os obstáculos que Alcolumbre enfrentará para manter sua posição de destaque. O pleito para definir os novos presidentes do Congresso ocorrerá em fevereiro de 2027.
O fortalecimento da articulação entre Lula e Motta intensificou-se há vários meses, marcadamente durante o avanço da PEC do fim da 6x1 na Câmara em maio deste ano. Os pormenores dessa proposta foram negociados diretamente entre ambos, demonstrando consonância em pautas trabalhistas.
Outras iniciativas governamentais também receberam aprovação na Casa Baixa, incluindo a PEC da Segurança Pública, diretrizes para minerais estratégicos e incentivos fiscais para instalação de centros de dados. Durante o período eleitoral de agosto, Lula convidou Motta para acompanhá-lo em deslocamento até o Rio Grande do Norte, viagem que realizaram em conjunto na aeronave presidencial, aproveitando para aprofundar discussões sobre temas de interesse petista.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre transcorreu de forma mais lenta e conflituosa. Os dois chefes políticos interromperam diálogos por ocasião da indicação de Lula e subsequente rejeição do Senado ao jurista Jorge Messias para integrar o STF, episódio inédito desde 1894. O retorno das conversas ocorreu apenas em agosto, quando, com as campanhas oficiais iniciadas, ambos restauraram relacionamento e, em menos de quinze dias, pactuaram temas centrais da agenda governamental.
Essa aproximação compreendeu inclusive a designação de parlamentares aliados de Lula para relatarem projetos que permaneciam paralisados na Casa Alta, acelerando sua tramitação.
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