- Pela Redação
- 29/05/2023
O falecimento de Laura Cardoso na segunda-feira (17) mobilizou o meio artístico brasileiro. A renomada intérprete, com quase um século de vida, deixa um legado incomensurável na história da televisão, teatro e cinema nacionais. Diversos artistas utilizaram as redes sociais para expressar seu pesar e reconhecimento à trajetória exemplar da veterana.
Laurinda de Jesus Balleroni nasceu em 1927 e iniciou sua carreira artística aos 15 anos. Ao longo de sua vida profissional, participou de mais de 60 produções televisivas, conquistando o recorde de atriz com maior número de trabalhos no país. Seus últimos projetos incluíram a novela "A Dona do Pedaço" (2019) e o filme "Dona Rosinha" (2025).
Homenagens de Colegas
Miguel Falabella foi um dos primeiros a se manifestar publicamente. O ator e diretor compartilhou recordações de uma amizade que começou no final dos anos 80. Em seu depoimento, ressaltou a grandiosidade artística de Laura, descrevendo-a como possuidora de um talento que "não cabia em seu corpo pequeno". Falabella enfatizou a importância de ter convivido com alguém tão dedicada aos ofícios teatral e televisivo.

Tony Ramos também se pronunciou, concedendo entrevista à GloboNews onde se mostrou visibilmente emocionado. O colega de profissão referiu-se a Laura como "a rainha da televisão", reconhecendo sua importância singular no meio audiovisual brasileiro. Ramos estendeu seus sentimentos à família da falecida, demonstrando solidariedade neste momento difícil.
A atriz Fabiana Karla expressou seu desconforto com a perda através de uma postagem que revelava sua dificuldade em aceitar o ocorrido. Mencionou ter esperado acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho. Sua mensagem transmitiu a intimidade que compartilhava com Laura nos bastidores das produções audiovisuais.
Uma Carreira Notável
Laurinda iniciou sua presença na televisão em 1952, aos 25 anos, no programa "Tribunal do Coração" pela TV Tupi. Sua contratação pela TV Globo ocorreu em 1981, quando participou de "Brilhante" sob direção de Daniel Filho, consolidando-se dois anos depois em "Pão Pão, Beijo Beijo". Entre suas interpretações mais memoráveis está Dona Isaura em "Mulheres de Areia" (1993), personagem que marcou época junto ao público.
Outro papel icônico foi o de Dona Guiomar em "A Viagem" (1994), personagem que permanece vivamente recordado por gerações de telespectadores. A atriz demonstrou versatilidade ao longo das décadas, alternando entre produções de grande audiência e trabalhos que desafiavam suas habilidades interpretativas.
Na esfera pessoal, Laura foi casada com o ator e diretor Fernando Balleroni de 1949 até 1980, quando ele faleceu. O casal teve três filhos: Fátima, Fernanda e José, este último falecido poucos dias após o nascimento. Viúva desde os 58 anos, Laura nunca buscou um novo casamento, dedicando-se integralmente à família como avó e bisavó.
Sua contribuição artística foi reconhecida através de inúmeras distinções. Recebeu cinco troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), o prêmio Oscarito do Festival de Gramado em reconhecimento ao cinema brasileiro, e em 2006 foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homenagem que reconhecia sua relevância na cultura nacional.
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