- Pela Redação
- 29/05/2023
O governador reconduzido ao cargo em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), tomou posição diferente da adotada por Flávio Bolsonaro (PL) após o resultado das eleições presidenciais. Embora tenha sido apoiador e aliado próximo na campanha do senador, Mello optou por mensagem distinta nas redes sociais.
Na quarta-feira (28), o executivo estadual publicou manifestação defendendo o reconhecimento do resultado eleitoral e a necessidade de reconciliação nacional. Sua declaração surgiu horas após Flávio divulgar carta questionando, sem fundamentação, a validade do processo eleitoral e se declarando líder do Brasil.
"Às instituições brasileiras, cabe promover a pacificação que o momento exige. Não é hora de aprofundar feridas, mas sim curá-las. Da minha parte, continuarei cumprindo a missão da qual jamais abri mão, defendendo os interesses de Santa Catarina acima de tudo, com firmeza e responsabilidade, respeitando as instituições e o resultado final das urnas", declarou Mello.
A manifestação representou o primeiro posicionamento do governador após o pleito de domingo (25) e o reconhecimento da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida três dias antes. O discurso de Mello contrasta nitidamente com o caminho escolhido por Flávio, que se deslocou para os Estados Unidos e mantém suas alegações infundadas de irregularidades eleitorais.
Em sua primeira versão, a carta de Flávio chegou a autodenominá-lo como "verdadeiro presidente eleito". Depois, o texto foi revisado para apresentá-lo como "líder do Brasil", preservando as críticas ao processo eleitoral e às autoridades brasileiras. O senador também sinalizou pretender conduzir a oposição ao governo Lula a partir do exterior.
Apesar da discordância quanto às declarações de seu aliado, Jorginho reconheceu o desempenho expressivo que Flávio conquistou em seu Estado. Santa Catarina foi a região de melhor votação para o candidato governista no segundo turno, com 3.220.071 votos (69,42% dos válidos), contra 1.418.314 votos (30,58%) para Lula.
Como presidente estadual da legenda e um dos principais articuladores da campanha de Flávio, Jorginho conquistou sua própria reeleição no primeiro turno. Contudo, ao defender o acatamento do resultado democrático, o governador não direcionou críticas explícitas à decisão de Flávio abandonar o país nem às acusações de manipulação levantadas pelo correligionário.
O comportamento de Jorginho integra uma tendência entre outras lideranças conservadoras que se afastaram das alegações apresentadas por Flávio. O governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) igualmente manifestou apoio ao respeito ao resultado das urnas. De modo semelhante, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, declarou não haver evidências que fundamentem acusações de fraude no processo eleitoral.
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