Íntegra da entrevista exclusiva de Roberta Luchsinger à CNN Brasil: acusações, defesa e revelações

Empresária investigada concede primeira entrevista televisiva falando sobre relações com Lulinha e ministros do governo



A empresária Roberta Luchsinger, alvo de investigações federais relacionadas a suas conexões com o empresário Antônio Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente da República, concedeu entrevista exclusiva ao programa CNN Prime Time. Transmitida no sábado (17), esta marca a primeira ocasião em que Luchsinger se pronuncia publicamente através de um veículo de televisão desde o início dos processos investigativos.

Na conversa com os jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco, a empresária rebate críticas proferidas pelo presidente Lula e relata presenciar inúmeros encontros entre o filho do chefe do Executivo e membros do gabinete governamental.

Nos últimos meses, Luchsinger foi submetida a mandados de busca e apreensão, teve seu patrimônio e recursos financeiros bloqueados judicialmente, além de receber a determinação para o uso de dispositivo de monitoramento eletrônico no contexto da Operação Sem Desconto.

Seguindo a repercussão do caso na mídia, ocorreu um afastamento notável entre a empresária e os políticos envolvidos.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

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Débora Bergamasco: Yuri e eu temos agora uma entrevista importante com a empresária Roberta Luchsinger. Roberta, obrigada por nos receber para essa entrevista. Tem muito tempo que nós estamos tentando entrevistá-la, assim como muitas pessoas da imprensa, e eu quero entender por que a senhora está recebendo a gente agora. Por que a senhora resolveu falar agora?

Roberta Luchsinger: Oi, Iuri, Débora, obrigado pelo espaço. Realmente tem muito tempo que a imprensa vem querendo falar comigo, e eu tenho colocado aí um limite desse diálogo. Concedi algumas entrevistas, mas nunca realmente vim a público a falar. Eu tenho buscado responder todo esse processo desgastante, todo esse inquérito dentro da seara adequada, que é a seara jurídica, cumprindo todas as decisões judiciais que me foram impostas. Mas por que eu decidi falar agora? Primeiro porque me sinto muito confortável falando com vocês devido à seriedade do trabalho que vocês fazem na mídia. E principalmente por você ser uma mulher e ser mãe, e isso é o que me levou a falar nesse momento. Porque durante todo esse processo venho sendo imensamente agredida. No momento em que o presidente da República foi ao ar para mais de 200 milhões de telespectadores falar que eu era uma pilantra por uma, duas, três vezes, tive que tomar minha própria defesa. Venho sendo constantemente ameaçada de morte, sofrendo reprimendas, tentando ser calada. E estou fazendo isso pelas minhas duas filhas, pela segurança delas. Todo santo dia sofro ameaça de morte, as minhas filhas sofrem ameaça, as minhas filhas sofrem bullying. A partir do momento que um presidente da República marca na minha testa que sou uma pilantra, abre o apito para todo tipo de agressão. Se abrir meu celular, recebo em torno de 50 ameaças de morte por dia. As minhas filhas tiveram as redes sociais invadidas, com dizeres de que seriam estupradas, esfaqueadas. São coisas pesadíssimas.

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Débora Bergamasco: Mas como é que essa entrevista ajuda a senhora a ter decidido falar?

Roberta Luchsinger: Ajuda pelo seguinte: como o presidente usou da máquina pública, usou de um horário nobre, de espectadores, para me agredir, para me chamar de pilantra e para me colocar como um alvo, fazendo um X na minha testa, tenho que também publicizar minha defesa. Com as redes sociais, com a velocidade das coisas, queria deixar claro que qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas terá a digital do presidente, terá a mão dele, terá o X de sangue que fez na minha testa. Porque ele me chamou de pilantra, eu não sou pilantra. Sou uma mulher sozinha com duas filhas, enfrentando um processo que tenho certeza que 1% não aguentaria. Com gente tentando me calar, com Justiça bloqueando todos os bens possíveis e inimagináveis. Cheguei no meu limite. Se eu não defender minha integridade e das minhas filhas, ninguém vai defender. Um presidente que usa a máquina pública para condenar uma cidadã investigada a todo tipo de crime, por uma, duas, três vezes, está me jogando dentro de um círculo com leões para ser devorada. E junto comigo tenho duas filhas. Uma atitude canalha, covarde, de mau caráter.

Iuri Pitta: Roberta, você tem colocado essa sensação de injustiça e pré-julgamento, mas há investigações em curso. A primeira delas no âmbito das investigações do INSS, pelas suas relações com o empresário Antônio Antunes, conhecido como careca do INSS, e pelas suas relações com Fábio Luiz Lula da Silva. Queria começar do começo. Você já admitiu que foi você quem apresentou o filho do presidente para o empresário. Por que foi feita esta apresentação, o que disso é seu trabalho e qual foi a remuneração?

Roberta Luchsinger: Yuri, muitos desses dados estão dentro do inquérito sob segredo de justiça, mas já vim a público outras vezes. Conheci o Antônio Camilo para prestar um serviço. Conheci um empresário do ramo da saúde, farmacêutica. Um empresário de sucesso em todo o circuito nacional. Apresentei ele ao Fábio Luiz, vulgo Lulinha, em caráter social. Fábio, Antônio, nada para negócios. Se após aquilo se desvencilhou em algum negócio, não foi comigo, foi entre eles. O que fiz para o Antônio foi uma prestação de serviço, buscando viabilidade de uma readequação das RDCs da Anvisa, que eram muito antiquadas e só permitiam que o canabidiol fosse comercializado via medida judicial. Meu trabalho foi a revisão de uma RDC para trazer melhorias para o sistema de saúde na área farmacêutica no Brasil.

Iuri Pitta: Mas onde entra o filho do presidente nessa questão? E houve também o envio de uma minuta de contrato para o chefe de gabinete da Presidência. Onde entra Fábio Luiz nesta discussão?

Roberta Luchsinger: Eu nunca discuti normativas da Anvisa com Fábio Luiz. Brasília é um local onde todo mundo se conhece. Você vai num jantar, numa festa, as pessoas estão circulando, uma apresenta a outra. O Antônio era meu cliente, o Fábio Luiz, meu amigo. Nenhum desses encontros foi reunião profissional. Foram encontros sociais, se apresentaram, se conheceram, trocaram contato. E daí em diante não tenho como falar o que eles fizeram. Isso conta dentro do inquérito. Uma injustiça muito forte é colocar como se eu fosse operadora de algum esquema de INSS, coisa que nunca fui. Quando tive conhecimento, Antônio e eu rompemos o contrato devido a tudo que estava acontecendo. Não tive conhecimento prévio disso, tive quando a mídia noticiou.

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Débora Bergamasco: Sabemos que em Brasília chegam milhares de pedidos de revisão. O fato de Antônio Camilo ter se aproximado de Lulinha facilitou, cortou um caminho para conseguir que esse tema fosse avaliado?

Roberta Luchsinger: A empresa tem que falar com o Lulinha. Meu serviço foi prestado pro Antônio Camilo.

Débora Bergamasco: Mas que você saiba…

Roberta Luchsinger: O que sei é o que toda a imprensa sabe. Ficaram amigos, viajaram etc. Isso é até onde sei. O que está no inquérito é segredo de justiça. Na minha perícia deixa claro que eu, Roberta, não tenho absolutamente nada a ver com esse escândalo do INSS. Existe uma sub-operação dentro da Operação Sem Desconto, que investiga minha relação com Antônio Camilo devida à Anvisa. Venho colaborando de forma muito efetiva.

Iuri Pitta: E é nesse âmbito que aparece aquela mensagem onde Antônio Camilo faz menção ao

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