- Pela Redação
- 29/05/2023
A imposição de nova taxa sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos acirrou o debate sobre responsabilidades pelo novo "tarifaço".

Enquanto a oposição questiona a condução das negociações e aponta falhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do Planalto sustentam que a decisão americana possui motivações "ideológicas" e "políticas".
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos confirmou a proposta de tarifa de 25%, apresentando uma lista de produtos isentos. Itens como petróleo, café e carne bovina escaparam da incidência. A implementação ocorrerá em 22 de julho.
🔎 A decisão decorre de investigação comercial do USTR com duração de um ano, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que faculta ao governo americano investigar e combater potenciais barreiras comerciais.
Segundo dados divulgados pela diplomacia brasileira, houve realização de mais de 30 contatos desde o pronunciamento da tarifa inicial. As interlocuções aconteceram por diversos canais: telefônico, videoconferência e encontros diretos, envolvendo níveis presidencial, ministerial e técnico.
Autoridades governamentais também tiveram participação do secretário de Estado americano Marco Rubio e do representante de Comércio Jamieson Greer, com no mínimo 11 ocasiões de contato.
O Planalto reitera que todas as iniciativas dialógicas originaram-se da parte brasileira, representando esforço contínuo para resolver o impasse comercial.
Tal posicionamento responde às acusações de que o Brasil teria negligenciado a busca por negociações com Washington antes da aplicação das medidas tarifárias.
Havia expectativa favorável à negociação após encontros entre Lula e Trump na Malásia e em Washington. Entretanto, o cenário sofreu alteração nas semanas recentes, após a passagem do senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro pelos EUA.
➡️ Marco Rubio cultiva relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. A aproximação iniciou em 2018, e recentemente Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro em solo americano.
Em comunicado posterior ao anúncio, o governo qualificou a medida como um "marco lamentável" nas relações bilaterais e "repudia a decisão". Lula, por sua vez, indicou intenção de acionar a lei da reciprocidade.
"Inexistem fundamentos para ações unilaterais contra nosso país. Conforme estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos".
Conforme o comunicado, "durante todo o período anterior, o governo brasileiro empenhou-se continuamente junto ao USTR pelo encerramento de investigações baseadas na Seção 301, fornecendo comprovações que contrapõem cada alegação acerca de práticas comerciais supostamente desleais adotadas pelo Brasil".
CONSULTE TAMBÉM:
0 Comentários
Faça um comentário