Facções criminosas e segurança pública definem nova pauta internacional do Brasil

Combate ao crime organizado transnacional será prioridade da agenda externa independente do resultado eleitoral



Toda eleição doméstica transmite sinais aos parceiros internacionais sobre mudanças nas diretrizes de um país. Quem quer que vença o segundo turno da disputa brasileira, uma certeza permanece: a política externa do Brasil passará por transformações significativas.

A performance dos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições legislativas marca um reposicionamento na forma como o Brasil conduzirá seu processo democrático interno e, consequentemente, suas relações exteriores.

Além disso, demanda-se uma agenda internacional robusta e estruturada. Em especial, frente ao crime organizado internacional com raízes brasileiras, que se estabeleceu como o principal desafio do Planalto na relação com nações vizinhas.

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O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) representam hoje as maiores organizações criminosas atuantes no continente. O Brasil precisará desenvolver estruturas de cooperação internacional, integrar-se a mecanismos regionais de combate às facções e enfrentar sistematicamente o narcotráfico e a comercialização ilegal de armamentos.

Questões ambientais também permanecerão em destaque, particularmente o enfrentamento à mineração predatória, à devastação florestal não autorizada, ao roubo de terras e, essencialmente, a praticamente todas as problemáticas que comprometem a integridade da Amazônia. A floresta amazônica configura-se como território compartilhado com países limítrofes e, presentemente, encontra-se sob controle de grupos criminosos -- especificamente as organizações faccionárias com origem no território nacional.

Porém, acima de tudo, a segurança pública consolidou-se como a preocupação central dos cidadãos brasileiros. Considerando essa nova configuração política entre Poder Executivo e Poder Legislativo, agregada aos êxitos expressivos de governadores da oposição, o tema segurança será determinante na próxima administração federal, independentemente de quem venha a ocupar a presidência.

*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do Grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador em Geopolítica do Insper Agro Global. Anteriormente, exerceu a função de diretor de Projetos Especiais e Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto é uma transcrição em primeira pessoa de análise audiovisual preparada para o WW.

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