- Pela Redação
- 29/05/2023
Toda eleição doméstica transmite sinais aos parceiros internacionais sobre mudanças nas diretrizes de um país. Quem quer que vença o segundo turno da disputa brasileira, uma certeza permanece: a política externa do Brasil passará por transformações significativas.
A performance dos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições legislativas marca um reposicionamento na forma como o Brasil conduzirá seu processo democrático interno e, consequentemente, suas relações exteriores.
Além disso, demanda-se uma agenda internacional robusta e estruturada. Em especial, frente ao crime organizado internacional com raízes brasileiras, que se estabeleceu como o principal desafio do Planalto na relação com nações vizinhas.

Operação contra o PCC prende 26 suspeitos na Bahia e em SP

Flávio cita facções e diz ter recebido 2 mil ameaças de morte

Chile afirma ter desmantelado primeira célula do PCC no país
O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) representam hoje as maiores organizações criminosas atuantes no continente. O Brasil precisará desenvolver estruturas de cooperação internacional, integrar-se a mecanismos regionais de combate às facções e enfrentar sistematicamente o narcotráfico e a comercialização ilegal de armamentos.
Questões ambientais também permanecerão em destaque, particularmente o enfrentamento à mineração predatória, à devastação florestal não autorizada, ao roubo de terras e, essencialmente, a praticamente todas as problemáticas que comprometem a integridade da Amazônia. A floresta amazônica configura-se como território compartilhado com países limítrofes e, presentemente, encontra-se sob controle de grupos criminosos -- especificamente as organizações faccionárias com origem no território nacional.
Porém, acima de tudo, a segurança pública consolidou-se como a preocupação central dos cidadãos brasileiros. Considerando essa nova configuração política entre Poder Executivo e Poder Legislativo, agregada aos êxitos expressivos de governadores da oposição, o tema segurança será determinante na próxima administração federal, independentemente de quem venha a ocupar a presidência.
*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do Grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador em Geopolítica do Insper Agro Global. Anteriormente, exerceu a função de diretor de Projetos Especiais e Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto é uma transcrição em primeira pessoa de análise audiovisual preparada para o WW.
0 Comentários
Faça um comentário