- Pela Redação
- 29/05/2023
Os Estados Unidos enfrentam um cenário preocupante com a confirmação de duas mortes causadas por sarampo durante este ano. As vítimas residiam no Condado de Lancaster, na Pensilvânia, e não haviam recebido vacinação, conforme informações divulgadas pelo departamento estatal de saúde pública.

Esta marca representa um passo significativo para trás na história epidemiológica do estado: a Pensilvânia não registrava óbitos por sarampo havia mais de três décadas. As autoridades não revelaram detalhes como idade, gênero ou outras características que pudessem identificar os falecidos, preservando questões de privacidade.
Atualmente, o país atravessa um surto generalizado da enfermidade, com números expressivos. De acordo com o CDC, foram documentados 2.777 casos até este momento de 2026, superando os 2.289 casos contabilizados durante todo o ano anterior. Em 2025, o território americano registrou três óbitos pela mesma doença.
A transmissão do sarampo ocorre por meio de partículas virais dispersas no ar quando pessoas infectadas tossem, espirram ou simplesmente respiram próximo a outras. O patógeno permanece viável em superfícies e na atmosfera por até 120 minutos após o indivíduo deixar determinado espaço — fator que classifica a doença como uma das mais infecciosas conhecidas atualmente.
A boa notícia é que a enfermidade pode ser completamente prevenida através de vacinação. Há mais de meio século a vacina tríplice viral está disponível, protegendo simultaneamente contra sarampo, caxumba e rubéola, e já foi amplamente implementada em diversos países, inclusive aqui no Brasil.
Contudo, há motivos para preocupação. A cobertura de imunização infantil nos Estados Unidos apresentou queda substancial, descendo de mais de 95% em 2020 para menos de 93% na atualidade. Essa redução, aparentemente modesta, é critica pois 95% representa o limite mínimo necessário para garantir imunidade coletiva contra o sarampo. A trajetória descendente iniciou-se em 2016 e acelerou durante a pandemia de Covid-19, segundo especialistas em imunologia.
O recente agravamento dessa tendência está associado aos posicionamentos do presidente Donald Trump e Robert F. Kennedy Jr., indicado para dirigir a pasta de Saúde. Em 10 de agosto, em pleno cenário de disseminação da doença, Trump assinou uma ordem executiva reformulando o calendário vacinal das crianças, propondo a substituição da tríplice viral por imunizações individualizadas para cada enfermidade. O presidente mencionou supostos riscos de morte, porém não apresentou estatísticas, documentações de fatalidades ou investigações científicas que fundamentassem tal alegação.
O discurso presidencial também ressuscitou a alegação infundada de que imunodeficiências estariam relacionadas ao transtorno autista — hipótese originária de um trabalho de 1998 do clínico inglês Andrew Wakefield, posteriormente comprovado como fraudulento. Este ocorrido resultou na cassação de seu registro profissional e na retratação da publicação pela revista científica responsável.
Investigações envolvendo milhões de crianças em múltiplas nações não identificaram qualquer conexão entre imunização e o transtorno do espectro autista, conforme atesta a Organização Mundial de Saúde. A comunidade científica internacional mantém posicionamento unificado sobre a segurança das vacinas.
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