- Pela Redação
- 29/05/2023
O pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, participou de sabatina conduzida pela emissora Globo nesta sexta-feira (28). Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli realizaram a entrevista diretamente dos Estúdios Globo, localizados no Rio de Janeiro.
O evento integra uma série de entrevistas com os principais postulantes ao Palácio do Planalto. Pela primeira vez, essas sabatinas com candidatos são exibidas após o encerramento do "Jornal Nacional", e não durante sua transmissão.
A emissora convidou os seis candidatos melhor posicionados conforme a pesquisa de intenção de voto realizada pela Quaest em 14 de agosto. A sequência das entrevistas foi estabelecida por meio de sorteio, contando com a presença de delegados dos partidos políticos.
Cronograma das entrevistas:
24 de agosto (segunda-feira) - Romeu Zema (Novo)
25 de agosto (terça-feira) - Ronaldo Caiado (PSD)
26 de agosto (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
27 de agosto (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado) - Augusto Cury (Avante)
A equipe de verificação de fatos analisou os principais pontos levantados pelo candidato durante a entrevista.
Afirmação sobre a prestação de contas do filme "Dark Horse"
"A prestação de contas do filme 'Dark horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo, por exigência minha, antes dos 30 dias."
Classificação: INVERDADE
Razões da classificação:
Em 13 de maio, o site The Intercept divulgou uma gravação de áudio onde Flávio Bolsonaro solicitava recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção do filme sobre seu pai. O ex-banqueiro acabou transferindo R$ 61 milhões aos responsáveis pela produção.
Seis dias após essa revelação, o senador e postulante à Presidência declarou em coletiva de imprensa que pediria à produtora para apresentar, dentro de trinta dias, um relatório completo sobre a aplicação e destino dos valores empregados na produção cinematográfica.
Em 15 de junho, a plataforma g1 publicou matéria informando que a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go UP Entertainment (produtora de "Dark horse"), apresentou um parecer técnico alegando que o custo total do filme foi de R$ 75,1 milhões, sendo R$ 54 milhões gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil.
Contudo, esse documento, anexado a investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura Karina, não apresenta dados relativos à origem dos recursos, documentos fiscais, comprovantes de desembolsos ou evidências de transferências bancárias. O profissional que elaborou o parecer, contratado pelos advogados da empresária, mencionou ter utilizado contratos e planilhas financeiras em sua análise, mas reconheceu não ter tido acesso ao fundo americano Havengate, apontado como receptor dos valores repassados por Vorcaro. A Polícia Federal considera essencial o rastreamento completo do fluxo financeiro.
O relatório foi incluído em investigação da Polícia Civil de São Paulo abrangendo uma organização não-governamental vinculada à Karina. O foco é um contrato de R$ 108 milhões para implantação de pontos de acesso à internet na região periférica da capital paulista, realizado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que pertence à empresária e funciona no mesmo local da produtora.
Adicionalmente, uma apuração no Supremo Tribunal Federal examina os repasses realizados por Vorcaro para a confecção do filme. O ministro André Mendonça conduz esse processo.
Afirmação sobre pedido de CPMI do Banco Master
"Inclusive, eu pedia muito que houvesse a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Eu já assinei a CPMI."
Classificação: VERDADE
Razões da classificação:
O Congresso Nacional recebeu sete requisições distintas para constituição de comissões encarregadas de investigar o caso do Banco Master. Uma delas foi proposta na Câmara dos Deputados pelo representante Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), três foram encaminhadas ao Senado Federal por parlamentares de diferentes espectros políticos, e as demais três eram para composições mistas no Congresso Nacional.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiou duas dessas propostas. Uma foi originada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), em 3 de fevereiro, três meses após a divulgação pública dos áudios contendo conversas entre o postulante à Presidência e Vorcaro. A segunda foi apresentada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), tendo recebido apoio em 15 de maio, dois dias após a revelação de mensagens do senador solicitando recursos ao ex-banqueiro.
Em ambas as situações, as assinaturas de apoio destinavam-se a solicitações de investigação conjunta pela Câmara e Senado Federal.
Afirmação sobre a origem do PIX
"É um PIX, que foi ali criado no governo do presidente Bolsonaro."
Classificação: INVERDADE
Razões da classificação:
A portaria do Banco Central número 97.909, que instituiu o grupo de trabalho responsável pelo desenvolvimento de uma ferramenta de pagamento instantâneo entre instituições bancárias foi publicada em 3 de maio de 2018, quando Michel Temer ocupava a Presidência. Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019.
O comunicado 32.927, divulgado pelo Banco Central em 21 de dezembro de 2018, comunicou que uma reunião ocorrida no dia anterior havia aprovado os parâmetros essenciais para o sistema de pagamentos instantâneos do país.
Em 3 de agosto de 2022, a equipe de verificação de fatos publicou análise determinando que é inverdade afirmar que Bolsonaro foi o criador do PIX. Na ocasião, o Banco Central informou que o PIX foi desenvolvido de forma progressiva ao longo do tempo, com suas especificações, desenvolvimento da infraestrutura e criação de marca ocorrendo entre 2019 e 2020, culminando com seu lançamento em novembro de 2020, resultado do trabalho de analistas, técnicos e servidores concursados da instituição.
O PIX iniciou suas operações em 16 de novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro. Porém, desde 5 de outubro daquele ano, era possível se registrar as chaves do sistema. Questionado naquela data por um apoiador acerca do sistema, o então presidente respondeu desconhecendo o assunto e prometendo conversar sobre o tema com o presidente do Banco Central naquela semana.
Afirmação sobre abstenção nas eleições de 2022
"Foram mais de 32 milhões de pessoas que não foram votar nas eleições de 2022, e ela foi decidida por algo próximo de 2 milhões de votos."
Classificação: VERDADE
Razões da classificação:
Conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições presidenciais de 2022, 32,7 milhões de cidadãos não compareceram para votar no primeiro turno. O percentual de ausência de 20,9% representou o maior índice desde 1998, quando 21,5% do eleitorado se absteve.
No segundo turno, aproximadamente 32,2 milhões de votantes não compareceram às urnas, correspondendo a 20,59% do total de eleitores aptos, o menor percentual desde 2006. Esse foi o primeiro pleito em que a abstenção no segundo turno ficou abaixo da do primeiro turno.
No segundo turno, Lula obteve 60.345.999 votos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) conquistou 58.206.354 votos, resultando numa diferença de 2.139.654 votos.
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