- Pela Redação
- 29/05/2023
Na noite de quinta-feira (27) para sexta-feira (28) de agosto, o Brasil terá a oportunidade de presenciar um eclipse lunar parcial que obscurecerá quase a totalidade da Lua, projetando a sombra terrestre sobre nosso satélite natural.
O espetáculo astronômico iniciará ainda na quinta-feira, às 22h24, e prosseguirá ao longo da madrugada. O ponto máximo de obscurecimento ocorrerá às 1h13 de sexta-feira (28), quando a Lua atingirá seu maior nível de escuridão.
Embora se aproxime muito de um eclipse total, será classificado como parcial porque uma pequena porção da Lua permanecerá fora da umbra, a zona mais sombria da sombra terrestre. Conforme explica a astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional: "O fenômeno vai obscurecer 96,2% da Lua, o que o torna visualmente quase um eclipse total".
O evento será observável em todas as regiões brasileiras, desde que as condições climáticas sejam favoráveis. A transmissão ao vivo contará com comentários especializados do Observatório Nacional.
Confira a seguir tudo o que você precisa saber sobre esse fenômeno celeste extraordinário.
Durante um eclipse lunar, a sombra projetada pela Terra é responsável pelo obscurecimento da Lua. Esse fenômeno ocorre quando Sol, Terra e Lua se alinham perfeitamente, com nosso planeta posicionado no meio dos dois corpos celestes.
A sombra terrestre apresenta duas regiões distintas: a penumbra, mais clara, e a umbra, significativamente mais escura.
➡️ Quando a Lua atravessa apenas a penumbra, ocorre um eclipse penumbral, geralmente imperceptível ao observador desatento. No eclipse parcial, parte do satélite penetra a umbra. Já no eclipse total, toda a superfície lunar encontra-se dentro dessa região de maior escuridão.
Na madrugada de sexta-feira, a Lua mergulhará profundamente na umbra, embora não de forma integral. No auge do fenômeno, será possível identificar uma estreita faixa ainda iluminada, enquanto o restante do disco lunar estará envolvido pela sombra terrestre.
O eclipse se estenderá da noite de quinta-feira até a madrugada de sexta-feira, passando por diversas fases. Confira os horários precisos (em horário de Brasília):
A fase parcial, a mais visível a olho nu, durará aproximadamente 3 horas e 18 minutos. Considerando também as etapas penumbrais, o eclipse completo se estenderá por cerca de 5 horas e 38 minutos.
☝️ Importante: para presenciar o momento em que quase toda a Lua estará coberta, você precisará observar o céu às 1h13 da madrugada de sexta-feira (28), não durante a noite de quinta para sexta.
Em estados com fusos horários diferentes do de Brasília, os horários precisam ser ajustados conforme a diferença local. Em regiões com fuso uma hora a menos, por exemplo, o pico ocorrerá às 0h13.
Diferentemente de um eclipse total, a Lua não adquirirá a coloração completamente vermelha característica da chamada "Lua de Sangue". No entanto, a porção lunar dentro da umbra poderá exibir tons mais escuros, alaranjados ou levemente avermelhados.
Isso ocorre porque parte da radiação solar consegue atravessar a atmosfera terrestre antes de atingir a Lua. A luz azul dispersa-se mais facilmente na atmosfera, enquanto comprimentos de onda maiores, como tons vermelhos e laranja, conseguem atravessá-la e iluminar a superfície lunar.
Trata-se do mesmo mecanismo responsável pelos tons avermelhados do nascer e pôr do sol. A Nasa compara o efeito a todos os amanheceres e entardeceres terrestres sendo projetados simultaneamente sobre a Lua.
Conforme afirma Alessandra Abe Pacini, cientista do grupo de Física Espacial da Universidade do Colorado: "É o mesmo fenômeno que torna o pôr do Sol vermelho. É como se a luz do Sol fosse filtrada pela nossa atmosfera e sobrasse esse vermelho que espalha a luz do Sol que incide sobre a Lua".
A boa notícia é que nenhum equipamento especial é necessário para assistir ao eclipse. O fenômeno pode ser observado completamente a olho nu e, diferentemente de um eclipse solar, não apresenta risco algum à saúde visual.
Segundo a astrônoma Josina: "Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser".
🔭 Binóculos ou telescópios aprimoram significativamente a visualização de detalhes da crosta lunar e das sombras projetadas, oferecendo uma experiência ainda mais enriquecedora.
O principal desafio será as condições meteorológicas: nuvens podem prejudicar ou impossibilitar a observação. O eclipse também será visível em outras regiões das Américas, além de partes da Europa e África.
No Brasil, será viável acompanhar todas as etapas, desde a entrada da Lua na penumbra até o encerramento do fenômeno, próximo às 4h da manhã de sexta-feira.
(VÍDEO: Veja um timelapse espetacular do eclipse lunar parcial mais extenso registrado em Tóquio.)
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