- Pela Redação
- 29/05/2023
g1
O dólar fechou em leve queda de 0,03% nesta quarta-feira (15), a R$ 4,9917, no sexto recuo consecutivo. É o menor valor em mais de dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,46%, aos 197.738 pontos.
Investidores acompanharam os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã, em meio à possibilidade de avanço nas negociações por um acordo de paz. No Brasil, o cenário eleitoral também influenciou o humor do mercado.
Altos funcionários dos Emirados Árabes Unidos e do Irã realizaram uma teleconferência nesta quarta-feira para discutir a redução das tensões do conflito, informou a mídia estatal árabe. Foi o primeiro contato de alto nível desde a deterioração das relações causada pela guerra entre EUA e Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não pretende estender o cessar-fogo com o Irã, mas que a guerra está “perto do fim”. Ele também disse à ABC News que o conflito “pode terminar de diversas formas, mas um acordo é preferível, porque assim o país pode se reconstruir”.
Enquanto isso, o bloqueio militar dos EUA no Estreito de Ormuz continua. Dados de monitoramento mostram vários navios dando meia-volta, mas, segundo agências iranianas, petroleiros do país conseguiram atravessar o estreito. O Irã ameaçou interromper o fluxo comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio dos EUA a embarcações iranianas persista.
No Brasil, novas pesquisas eleitorais para a presidência mostram que Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão tecnicamente empatados em um eventual 2º turno. O levantamento também indica alto endividamento: 72% dos brasileiros dizem ter dívidas.
Na agenda econômica, dados de vendas no varejo no Brasil, divulgados pelo IBGE, e o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central americao) nos EUA foram destaques.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Dólar
* Acumulado da semana: -0,39%;
* Acumulado do mês: -3,61%;
* Acumulado do ano: -9,05%.
Ibovespa
* Acumulado da semana: +0,73%;
* Acumulado do mês: +6,03%;
* Acumulado do ano: +23,37%.
Guerra no Oriente Médio
Os desdobramentos mais recentes da guerra entre Irã e Estados Unidos mostram um cenário de tensão ainda elevada, mas com sinais mistos entre confronto e tentativa de negociação.
Um dos episódios mais simbólicos ocorreu no Estreito de Ormuz, onde um petroleiro iraniano, listado em sanções dos EUA, conseguiu atravessar a região e chegar às águas iranianas sem interferência, mesmo com o bloqueio naval imposto por Washington.
Segundo a agência iraniana Fars, o navio — com capacidade para transportar até 2 milhões de barris de petróleo — manteve seu sistema de rastreamento ligado durante todo o trajeto.
Ao mesmo tempo, o discurso político iraniano tenta sinalizar abertura ao diálogo. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país não busca guerra, mas sim negociações, e declarou que qualquer tentativa de imposição ou rendição por parte dos EUA está “condenada ao fracasso”.
A fala ocorre em meio à expectativa de uma possível retomada das conversas de paz, que podem ser mediadas pelo Paquistão ainda nesta semana.
Apesar disso, o avanço diplomático segue incerto:
* O governo iraniano afirma que ainda não há data definida para uma nova rodada de negociações e que não houve acordo sobre temas centrais, como a liberação de ativos congelados do país.
* Do lado americano, autoridades indicam que também não houve compromisso formal para estender o cessar-fogo, embora as conversas continuem em andamento.
* A chegada de uma delegação do Paquistão ao Irã, prevista para esta quarta-feira, pode representar mais um passo nas negociações indiretas entre Teerã e Washington.
A expectativa é que o grupo leve novas mensagens dos EUA, em uma tentativa de manter o diálogo aberto mesmo diante de um cenário ainda marcado por incertezas e episódios de tensão no campo militar e econômico.
Eleições 2026
A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra que Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão tecnicamente empatados em um eventual segundo turno de 2026, com 42% a 40%, respectivamente — a primeira vez que Flávio aparece numericamente à frente.
O levantamento também indica queda gradual da vantagem de Lula ao longo dos meses. Em outros cenários testados, o petista lidera contra demais adversários.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 9 e 13 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa Quaest também mostra que 72% dos brasileiros têm dívidas — sendo 29% com muitas e 43% com poucas —, enquanto 28% dizem não ter.
O levantamento também indica piora na percepção da economia: 50% afirmam que ela ficou pior no último ano, 72% dizem que os preços dos alimentos subiram e 71% relatam perda de poder de compra.
Além disso, 70% defendem que o governo amplie programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única nesta quarta-feira. O S&P 500 subiu 0,80%, aos 7.022,81 pontos, e o Nasdaq avançou 1,60%, aos 24.016,02. O Dow Jones, por sua vez, fechou em queda de 0,15%, aos 48.463,72 pontos.
As bolsas da Ásia tiveram um dia mais calmo, com investidores divididos entre sinais positivos e negativos no possível acordo de paz na guerra entre EUA e Irã
Por outro lado, dados fracos das exportações da China seguraram o entusiasmo.
No fechamento, os principais índices variaram pouco: em Xangai, a bolsa ficou praticamente estável, com leve alta de 0,01%, enquanto o CSI300 caiu 0,34%.
Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,29%. Já em outros mercados da região, o tom foi mais positivo, como em Tóquio, onde o Nikkei avançou 0,44%, e em Seul, com alta de 2,07%.
O clima mais otimista veio após a recuperação de Wall Street, o que também ajudou a manter o preço do petróleo abaixo de US$ 100 por barril. Ainda assim, a desaceleração das exportações chinesas segue como um ponto de atenção para os investidores.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/R/L/9pGXOhQjWMbLFeAbXt6w/2025-01-22t173936z-1-lynxnpel0l0qj-rtroptp-4-fluxo-cambial-semanal.jpg)
Notas de dólar. — Foto: Dado Ruvic/ Reuters
0 Comentários
Faça um comentário