- Pela Redação
- 29/05/2023
Manter presos considerados de alta periculosidade e lideranças de organizações criminosas em penitenciárias federais representa um custo cada vez maior para os cofres públicos brasileiros. Informações obtidas através da Lei de Acesso à Informação revelam que o custo médio anual por detento no Sistema Penitenciário Federal chegou a R$ 46.462,44 em 2025, representando o maior valor registrado desde o início da série histórica em 2020.
As cinco penitenciárias federais de segurança máxima funcionam principalmente como locais de custódia para líderes de facções criminosas e indivíduos classificados como de alta periculosidade. Atualmente, essas unidades abrigam 461 detentos com vínculo identificado com organizações criminosas, sendo que 159 deles exercem funções de liderança em âmbito regional ou nacional, conforme informações da Secretaria Nacional de Políticas Penais.

Arte/Metrópoles
Os dados oficiais demonstram uma escalada contínua nos investimentos destinados ao sistema. No período de julho a dezembro de 2020, o gasto médio por preso foi de R$ 25.256,83. Esse valor cresceu significativamente nos anos subsequentes, marcando uma tendência de elevação constante das despesas.
A progressão anual dos custos unitários mostra: 2021 com R$ 31.294,71; 2022 alcançando R$ 39.724,26; 2023 com R$ 43.783,41; 2024 registrando R$ 41.861,52; e 2025 atingindo R$ 46.462,44. Nos dois primeiros meses de 2026, a Senappen informou um custo anualizado de R$ 46.208,88.
Além do aumento por detento, as despesas totais do Sistema Penitenciário Federal experimentaram crescimento expressivo. Os gastos globais evoluíram de R$ 191,9 milhões em 2021 para R$ 279,3 milhões em 2025. Em 2022 foram contabilizados R$ 225 milhões; em 2023, R$ 256,2 milhões; e em 2024, R$ 239,3 milhões. Apenas janeiro e fevereiro de 2026 já totalizavam R$ 51,9 milhões em despesas.
O Sistema Penitenciário Federal é composto por cinco unidades estrategicamente localizadas em Brasília, Catanduvas, Campo Grande, Mossoró e Porto Velho. Cada uma dessas instituições implementa separação formal de presos de acordo com suas respectivas facções criminosas, utilizando critérios estabelecidos pela Lei de Execução Penal e adotando medidas específicas para preservar a segurança das instalações e a integridade dos custodiados.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais destaca que nunca houve registros de homicídios ou rebeliões motivadas por conflitos faccionais nas penitenciárias federais de segurança máxima. O órgão atribui esse resultado bem-sucedido à estratégia deliberada de distribuição e segregação de presos conforme sua vinculação com diferentes grupos criminosos.
Atualmente, o Sistema Penitenciário Federal custódia integrantes de 37 diferentes organizações criminosas, incluindo Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital, Família do Norte, Guardiões do Estado, Bonde do Maluco, Sindicato do Crime, Terceiro Comando Puro e diversos grupos milicianos. Quanto a outras informações solicitadas, como dados detalhados sobre separação de presos por facção e protocolos específicos de inteligência, a Senappen informou que esses materiais possuem caráter restrito por envolverem atividades de inteligência penitenciária e segurança pública.
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