- Pela Redação
- 29/05/2023
O governo russo confirmou nesta quarta-feira (26) a presença do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, John Ratcliffe, em Moscou no dia anterior. A confirmação veio após reportagens da emissora CBS e do portal Axios divulgarem a informação na terça-feira (25).

Segundo comunicado do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o chefe da inteligência americana manteve contatos com representantes do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB). O porta-voz, porém, negou qualquer encontro entre Ratcliffe e o presidente Vladimir Putin, recusando-se a fornecer detalhes adicionais aos jornalistas presentes.
Peskov ressaltou que ainda é prematuro avaliar se esses contatos entre os serviços de inteligência dos dois países poderiam contribuir para melhorar as relações EUA-Rússia, que descreveu como estando em uma "crise profunda".
Além de fontes do governo americano, os veículos de comunicação que cobriram a visita utilizaram dados da plataforma de monitoramento aeronáutico Flightradar24 para confirmar a informação. Os registros indicavam que uma aeronave militar americana saiu da Letônia em direção ao Aeroporto Vnukovo, em Moscou, pela manhã, retornando posteriormente à capital russa.
A aeronave rastreada era um Boeing Globemaster de matrícula 07-7181, que decolou aproximadamente às 4h (horário de Brasília). A aeronave tinha chegado a Riga em 23 de agosto, procedente da base aérea de Camp Springs, próxima a Washington.
De acordo com informações do jornal "Financial Times", os Estados Unidos solicitaram à Ucrânia que suspendesse operações militares contra Moscou, São Petersburgo e outras regiões do norte russo entre segunda (24) e quarta-feira (26), permitindo a realização da viagem de um alto funcionário americano. O pedido foi aceito pelas autoridades ucranianas.
A natureza dessa visita inusitada do principal responsável pela inteligência externa americana pode estar relacionada a diversos assuntos de relevância estratégica: a situação na Ucrânia, as tensões com o Irã num momento em que Washington busca mobilizar potências globais em torno de sanções econômicas contra Teerã, ou até mesmo negociações envolvendo trocas de prisioneiros.
Em outras ocasiões, o presidente Donald Trump enviou seu genro Jared Kushner e o assessor especial Steve Witkoff a Moscou para manter diálogos com autoridades russas.
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