- Pela Redação
- 29/05/2023
As legendas que compõem o chamado "Centrão" caminham para consolidar uma posição de neutralidade nas disputas presidenciais deste ano, conforme deliberações que devem ser formalizadas nas convenções até o dia 5 de agosto. A estratégia central das siglas é concentrar recursos e esforços nas eleições para o Congresso Nacional, mantendo-se afastadas dos palanques tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Arte/Metrópoles
Ambos os lados do debate presidencial buscaram ativamente o apoio dessas organizações políticas. Algumas legendas do centro ainda preservam espaços no Governo Lula, apesar da redução substancial de ministérios de primeiro escalão após a desincompatibilização de seus integrantes.
No entanto, a dinâmica varia significativamente conforme o contexto regional. Nos territórios onde Lula apresenta maior vantagem eleitoral, particularmente na região Nordeste, candidatos do Centrão ao Congresso adotam cautela ao expressar apoio a Flávio Bolsonaro, temendo comprometer suas próprias campanhas. O pragmatismo político prevalece sobre as alianças nacionais.
O PT manteve postura discreta em negociações federais com as organizações centristas. Enquanto anteriormente distribuía ministérios para garantir governabilidade e aprovação de projetos legislativos, agora direciona suas articulações para alianças mais à esquerda do espectro político, visando construir uma base eleitoral nacional mais coesa.
Paralelamente, em esfera estadual, a legenda petista continua buscando aproximações com figuras moderadas, aumentando sua visibilidade nos estados para fortalecer o projeto de reeleição presidencial.
O Partido Liberal, sob liderança de Jair Bolsonaro, adotou postura mais assertiva nas tentativas de cooptação. Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, ofertou até mesmo a vice-presidência para atrair os centristas. Reuniu-se com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), mas recebeu recusa da ex-ministra da Agricultura.
Flávio Bolsonaro procurou o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), na semana recente, porém o político já havia comunicado aos seus aliados a opção pela neutralidade eleitoral, considerando essencial para viabilizar candidaturas em todas as unidades federativas.
"Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados", afirmou um membro da executiva nacional do Progressistas.
Costa Neto também procurou Republicanos e Podemos, ambos recusando formalizar apoio a Flávio. O partido de Marcos Pereira realizou pesquisas testando mulheres republicanas para eventual vice, sem resultados promissores. A convenção nacional do PL acontecerá neste sábado (25 de julho) em São Paulo.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques desponta como preferência de Flávio para a chapa. A republicana, contudo, enfrenta resistências tanto no PL quanto na própria sigla, tendo Valdemar declarado que Marques "precisa ter votos" para ocupar a posição de vice.
Diante da complexidade da situação, Valdemar transferiu a decisão aos Bolsonaros. Ao Metrópoles, confirmou que a escolha será de responsabilidade exclusiva de Flávio, representando "uma decisão pessoal" do pré-candidato presidencial.
Espera-se que MDB, Solidariedade e PRD também anunciem suas posições de neutralidade.
O PSD figura como única legenda centrista com candidatura presidencial própria. O ex-governador goiano Ronaldo Caiado encabeçará a chapa, com o presidente nacional Gilberto Kassab na posição de vice. Apesar dessa escolha, o partido não pretende ativar estruturas de palanque nos estados, considerando as particularidades regionais.
A sigla de Kassab mantém vínculos com bolsonaristas em determinados estados e com setores lulistas em outros. No Rio de Janeiro, o pré-candidato Eduardo Paes (PSD-RJ) posiciona-se abertamente como apoiador de Lula. Consequentemente, Caiado não contará com o respaldo de Paes na capital fluminense.
O quadro atual difere substancialmente da conjuntura das eleições de 2022, quando o Centrão adotou posicionamentos mais definidos. Naquele pleito, PP e Republicanos coligaram-se ao PL para tentar reeleger Bolsonaro, com Ciro Nogueira como ministro da Casa Civil na ocasião.
Em 2022, MDB, União Brasil e PDT lançaram candidatos próprios no primeiro turno. O MDB apresentou Simone Tebet em coligação com PSDB, Cidadania e Podemos, enquanto o PDT lançou Ciro Gomes. Tebet posteriormente apoiou Lula no segundo turno, integrando seu governo como ministra do Planejamento. O PDT também apoiou o petista, embora Ciro Gomes, então filiado à sigla, mantivesse posição distinta. O União Brasil apresentou Soraya Thronicke (hoje no PSB) no primeiro turno, adotando neutralidade no segundo turno.
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