- Pela Redação
- 29/05/2023
A reformulação da composição do Congresso Nacional, que iniciará em fevereiro de 2027, alterou significativamente o cenário político para as eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Enquanto o centrão adota postura defensiva, a direita passa a nutrir esperança de assumir o comando das duas Casas Legislativas na próxima legislatura.
As votações para esses cargos de grande relevância ocorrerão em 1º de fevereiro de 2027, quando os deputados e senadores eleitos tomarão posse. A situação mais desafiadora neste momento envolve a disputa pela presidência do Senado, cenário onde há maior incerteza.
O presidente atual da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), busca manter-se no cargo, porém enfrenta uma realidade diversa daquela de 2025, quando foi eleito com 73 votos entre 81 possíveis. Na ocasião, encontrava oposição limitada, com apenas quatro senadores do PL votando em Marcos Pontes e igual número em Eduardo Girão.

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A legenda bolsonarista já sinalizou interesse em indicar Rogério Marinho (RN) ou Tereza Cristina (PP) para disputar a liderança da Casa. Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, contaria com um panorama significativamente favorável. O PL terá 29 cadeiras no Senado a partir da próxima legislatura, necessitando apenas mais 12 votos para assegurar o comando.
Senadores de outras legendas que receberam apoio da família Bolsonaro devem integrar a base de sustentação da sigla. Entre eles estão Marcel Van Hattem (Novo-SC), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Mara Rocha (MDB-AC) e Arthur Lira (PP-AL).
O cálculo estratégico no PL também considera o resultado do segundo turno presidencial. Uma eventual vitória de Flávio tenderia a fortalecer ainda mais a legenda, atraindo maior apoio político.
Espera-se que agremiações que apoiarem o candidato bolsonarista no segundo turno, como PP e Republicanos, recebam posições no Ministério e utilizem a aproximação com o PL como ferramenta para aprovação de projetos legislativos.
Alcolumbre dedica-se ao mapeamento de votos necessários para sua reeleição. O parlamentar contará com respaldo de sua agremiação, o União Brasil, que dispõe de cinco senadores, e tentará angariar apoio em partidos de centro que não declararam apoio explícito a Flávio no segundo turno, como PSD (cinco senadores) e MDB (oito senadores).
Além dessas legendas, há expectativa de que o presidente atual receba suporte de agremiações posicionadas à sua esquerda no espectro político: PT (nove senadores), PSB (quatro senadores), além de Rede e PDT (um senador cada).
Pela segunda legislatura consecutiva, a federação governista não apresentará candidato próprio e apoiará Alcolumbre na Casa Alta. Dinâmica semelhante ocorre na Câmara, com respaldo ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
A reeleição de Motta também enfrentará desafios consideráveis. Em 2025, obteve 444 votos apoiado por um bloco de 17 partidos incluindo PL, PT, PCdoB, PV, União, PP, Republicanos, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade e PRD.
Nas eleições recentes, o PL conquistou 121 cadeiras na Casa Baixa e passou a cogitar o nome de Sóstenes Cavalcante (RJ), líder da legenda, para concorrer à presidência. A sigla necessitaria de 136 votos adicionais para vitória em primeiro turno. Diferentemente do cenário do Senado, o Republicanos mantém Motta como candidato e não desviaria votos para o deputado da legenda bolsonarista.
Nesse contexto, Motta asseguraria 41 votos, acrescido do apoio da federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e MDB. Esses grupos somam 165 deputados, além de outras legendas mais alinhadas à esquerda como PSB (15 deputados) e PDT (6 deputados).
Na disputa anterior, Motta enfrentou concorrência de Marcel Van Hattem, que recebeu 32 votos, e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), com 22 votos, enquanto dois votos foram em branco.
Presidir as duas Casas garante às legendas controle sobre pautas no plenário, capacidade de acelerar tramitação de projetos e emendas constitucionais, além de definir relatores de textos em discussão.
O presidente do Senado concentra poder adicional, exercendo presidência sobre o Congresso Nacional e tendo prerrogativa de convocar sessões conjuntas entre deputados e senadores.
Compete ainda ao ocupante do cargo determinar a abertura de pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), atualmente considerada prioridade máxima da agenda direitista no Parlamento. Apenas o ministro Alexandre de Moraes acumula 55 solicitações de afastamento do tribunal.
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