- Pela Redação
- 29/05/2023
A Braskem, uma das principais petroquímicas do Brasil, formalizou na madrugada de segunda-feira (24) o protocolo de recuperação extrajudicial visando reestruturar seu passivo de US$ 10,3 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 54 bilhões.

O requerimento foi protocolado no encerramento do período de salvaguarda que a companhia havia conquistado contra demandas e execuções de seus credores enquanto conduzia as negociações para reorganização financeira.
A empresa inicia agora uma nova fase de diálogos com seus credores, buscando estabelecer condições adequadas para reestruturar seus compromissos financeiros, definindo prazos e modalidades de pagamento.
Entendendo a recuperação extrajudicial: Trata-se de um processo de negociação entre a empresa e seus credores para reorganizar dívidas, com posterior validação judicial. Diferencia-se da recuperação judicial por envolver negociações prévias diretas entre as partes. O acordo pode contemplar extensão de prazos e períodos de carência, com objetivo de evitar insolvência e permitir continuidade operacional.
Na última sexta-feira (21), a Braskem confirmou publicamente a existência de mais de US$ 10 bilhões em dívidas abrangidas pelo escopo da reestruturação.
Conforme comunicado ao mercado, a petroquímica vinha avaliando alternativas para se blindar de possíveis ações judiciais de cobrança enquanto progrediam as tratativas para reorganizar sua estrutura financeira.
A companhia ressaltou que os diálogos com credores apresentavam aceleração e que estudava diferentes caminhos para reconfigurar seu endividamento.
Expressiva parcela da dívida brasquimica está em títulos comercializados internacionalmente, conhecidos como bonds, instrumentos de dívida oferecidos a investidores globais.
Simultaneamente, a Braskem trabalha na reestruturação de sua filial mexicana, Braskem Idesa, que solicitou proteção sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, mecanismo que permite empresas continuarem operando enquanto reorganizam passivos sob supervisão federal.
O plano inclui investimento de US$ 476 milhões da controladora para manter a participação societária na subsidiária.
Quem é a Braskem
A Braskem consolidou-se como uma das maiores transformadoras de petroquímicos no Brasil, fundada em 2002 através da fusão de ativos da anterior Odebrecht, atualmente Novonor, e do Grupo Mariani.
Sua produção abrange resinas plásticas, incluindo polietileno, polipropileno e PVC, componentes fundamentais para embalagens, componentes industriais, tubulações e insumos para artigos de consumo cotidiano.
A companhia também fabrica precursores químicos como eteno e propeno, matérias-primas empregadas por diversos segmentos industriais na elaboração de múltiplos materiais.
Com presença em nações como Estados Unidos, Alemanha e México, a Braskem conta com a Petrobras entre seus principais acionistas.
A petroquímica foi recentemente incorporada ao portfólio da IG4 Capital, originária da Novonor (ex-Odebrecht), e transita por um período desafiador no contexto setorial petroquímico, demandando recursos substanciais para superar complicações deixadas por administrações antecedentes.
Além de pressões originadas pelos valores reduzidos praticados na indústria, o fluxo de caixa da empresa sofreu impacto significativo pelos gastos associados ao desastre ambiental decorrente da extração de sal em Alagoas, episódio que resultou em subsidência do terreno em áreas de Maceió e determinou a relocalização de populações numerosas.
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