- Pela Redação
- 29/05/2023
Apesar dos esforços da administração Trump para consolidar um ambiente regulatório favorável às criptomoedas, o mercado digital continua enfrentando uma trajetória de queda significativa. O bitcoin, principal ativo do setor, despencou mais de 50% desde seu pico histórico, oscilando abaixo de US$ 60 mil nesta semana, enquanto o mercado de ações americano registra seu melhor trimestre em seis anos.
A paradoxal situação contrasta fortemente com o otimismo inicial que acompanhou a eleição presidencial. Logo após a vitória de Trump em 2024, o bitcoin acumulou ganhos superiores a 80%, atingindo máximas acima de US$ 126 mil em outubro de 2025. Esse desempenho era impulsionado pelas promessas da campanha de transformar os Estados Unidos na "capital mundial das criptomoedas" e pela expectativa de regulamentação favorável ao setor.
O presidente tem mantido sua palavra em relação ao apoio ao setor. A Casa Branca nomeou autoridades favoráveis às criptomoedas para a Comissão de Valores Mobiliários (SEC), propôs a criação de uma "reserva estratégica de bitcoin", e a agência reguladora desistiu de diversas ações de fiscalização contra empresas do ramo. Trump também defendeu projetos de lei bipartidários que estabelecem diretrizes federais mais claras para ativos digitais.
Contudo, especialistas alertam que existe uma "faca de dois gumes" nesse cenário. Segundo Hilary Allen, professora de Direito da American University, embora o setor necessite legitimidade para atrair novos investimentos, os negócios de criptomoedas da família Trump não ajudam a dissociar a indústria de sua histórica associação com fraudes. "Os empreendimentos da família Trump não melhoraram a percepção de que as criptomoedas estão ligadas a golpes", afirmou Allen.
Os números dos negócios cripto de Trump são expressivos: a World Liberty Financial arrecadou mais de US$ 500 milhões em vendas de tokens no ano passado, enquanto sua memecoin gerou US$ 635 milhões em receitas. Paradoxalmente, essa memecoin perdeu 98% de seu valor desde o lançamento, ocorrido pouco antes da posse presidencial.
A desvalorização do mercado cripto também reflete mudanças estruturais mais amplas. Investidores têm migrado recursos para o setor de inteligência artificial, deixando as criptomoedas em segundo plano. Além disso, a empresa Strategy, que mantinha grandes reservas de bitcoin, reverteu sua política de nunca vender a criptomoeda, impulsionando ainda mais as vendas.
Analistas apontam que uma recuperação está distante. Conforme avalia Yusuf Fakhro, sócio da ARP Digital, embora "a onda mais intensa de vendas pareça estar perdendo força, a demanda ainda não retornou". Fakhro prevê que o mercado caminha para um cenário de "declínio gradual" nos próximos períodos.
As criptomoedas, que funcionam como moedas digitais descentralizadas há aproximadamente 15 anos, continuam operando à margem do sistema financeiro tradicional. Seu valor volátil e a falta de aceitação generalizada como forma de pagamento reforçam os riscos associados a esses ativos, especialmente quando comparados a moedas lastreadas por governos como o dólar americano.
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