- Pela Redação
- 29/05/2023
A democracia brasileira apresenta um contraste peculiar: enquanto o presidente se dedica a endividar o governo em níveis insustentáveis, seu principal rival tenta construir uma imagem de estadista internacional. Para o eleitorado nacional, estadista é simplesmente alguém que fala outro idioma.
O senador viajou à Argentina para ser fotografado ao lado de Javier Milei e celebrar a chamada "onda azul", termo que descreve a tendência de governos de direita na América Latina. Este movimento inclui agora a Colômbia, sob liderança que contou com apoio internacional conservador.
Milei postou entusiasticamente sobre o encontro nas redes sociais, expressando esperança de que o Brasil integre este movimento por iniciativa de seu interlocutor. O senador busca aproveitar este momento para se distanciar de pressões políticas domésticas que afetam sua trajetória.
Antes da viagem argentina, havia visitado os Estados Unidos para executar manobra similar: fotografias com líderes internacionais e promessas de trabalhar pela redução de tarifas comerciais. Esta é uma estratégia consistente de fuga de problemas internos.
O cenário político atual revela que ambos os principais candidatos em potencial passam por dificuldades que tentam contornar mediante atividades internacionais e gastos públicos, em vez de enfrentar diretamente as questões que os cercam.
Eleitores conscientes deveriam questionar a viabilidade de apoiar políticos constantemente em fuga. No entanto, a população brasileira historicamente demonstra falta de interesse em exigências desta natureza, preferindo confiar em promessas imediatas.
A oscilação pendular entre governos de esquerda e direita na América Latina responde principalmente a necessidades conjunturais. No Brasil, este pêndulo move-se entre promessas de combate à criminalidade pela direita e tolerância dela pela esquerda, ambas acompanhadas por erosão dos direitos fundamentais.
Líderes conservadores espelham-se atualmente em Nayib Bukele, presidente salvadorenho que suspendeu garantias constitucionais para realizar prisões em massa. Esta abordagem ganhou imitadores regionais que replicam seu modelo sem originalidade.
A relevância da política brasileira para o continente é substancial: o país representa aproximadamente um terço do PIB latino-americano. Juntamente com o México, que permanece sob governo de esquerda, concentra mais da metade da riqueza produzida na região.
Porém, o contrário não ocorre com igual força. A população brasileira historicamente desconsidera acontecimentos além de suas fronteiras, exceto quando líderes externos intervêm em assuntos domésticos. Nestes casos, reações baseadas em soberania nacional emergem rapidamente.
Associar-se à onda azul latino-americana não representa estratégia recomendável para fortalecer uma candidatura presidencial brasileira. Especialmente quando o parceiro internacional é Milei, cuja popularidade tem apresentado deterioração significativa.
Embora o presidente argentino tenha inicialmente desfrutado de reputação favorável, seus resultados práticos mostram limitações severas. A taxa de desemprego atingiu níveis máximos desde a pandemia, informalidade persiste, pensionistas enfrentam privações e cálculos oficiais de inflação não correspondem à realidade enfrentada por populações vulneráveis.
Com a perspectiva de melhoria econômica movendo-se para horizontes cada vez mais distantes, associar-se politicamente a Milei pode transformar uma estratégia inócua em um cálculo prejudicial.
Enquanto isso, o presidente atual encontra-se no Paraguai em reunião regional, transmitindo mensagens a líderes externos. O Brasil parece possuir apenas opções de estadistas em fuga.
0 Comentários
Faça um comentário