- Pela Redação
- 29/05/2023
A presença feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) marca quase sete décadas de história que começou com Oliva Enciso em 1958. Recentemente, esse percurso ganhou novo impulso com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que irão compor duas das 24 cadeiras da Casa legislativa estadual a partir de 2027.
Oliva Enciso foi pioneira ao se eleger deputada estadual em Mato Grosso, vinte e seis anos após as mulheres brasileiras conquistarem o direito de voto. Educadora de formação, dedicou-se à instrução pública e aos programas assistenciais, além de ter exercido mandato como vereadora em Campo Grande. Sua trajetória na ALMT transcorreu entre 1959 e 1963, durante a 4ª Legislatura, em período anterior à divisão do estado.
De acordo com a historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos, o movimento de inserção institucional das mulheres na política estadual germinou nas décadas iniciais do século XX, impulsionado pelas mobilizações e aquisições de direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, instituições femininas, espaços educacionais e veículos de comunicação contribuíram para expandir a participação das mulheres na esfera coletiva.
Contudo, obter direito de voto não equivaleu a acesso automático a cargos representativos. Conforme salienta Dejenana, a estrutura política regional esteve profundamente marcada pelo coronelismo, pela predominância de vínculos familiares e por configurações patriarcais. Enquanto homens desfrutavam de acesso natural à política, mulheres tiveram de conquistar legitimidade pública através de caminhos alternativos, especialmente pela via intelectual, cultural e comunitária.
Madalena Rodrigues, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), vincula a reduzida representação feminina às dinâmicas sociais instituídas ao longo do tempo.
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