- Pela Redação
- 29/05/2023
Opinião
Estamos a quase um mês do prazo final para mudança de partidos para vereadores pela legislação vigente, a chamada janela partidária que começa no dia 07 de março e vai até 05 de abril, para quem tiver interesse em concorrer às Eleições Municipais de 2024.
Esse deadline tem aquecido os bastidores da política. A montagem de uma boa chapa de vereadores é um passo importante para a viabilização da eleição de candidato a prefeito, a construção de um amplo arco de alianças.
Os pré candidatos nos municípios já estão alvoroçados em busca de nomes para garantir a chamada viabilidade eleitoral da chapa de vereadores.
Na prática, esse período vira um verdadeiro “leilão” de apoios e todo mundo quer ver a tal “proposta” do partido, negociações de estrutura de campanha vetos a nomes de concorrentes e muitos cálculos eleitorais.
A novidade é que dificilmente um candidato novato vai encontrar um partido estrutura financeira dos partidos e dos candidatos a prefeito.
Nessa eleição, por causa das novas regras eleitorais, nas grandes siglas sempre haverá um ou mais vereadores no mandato.
Ter vereadores de mandato na chapa que era o “pânico” dos neófitos virou um mal necessário para quem quer concorrer e ter maiores chances de furar a bolha das câmaras.
O risco de perder as eleições nos partidos chamados pequenos por falta de quociente é consideravelmente muito maior segundo analistas, por causa das novas regras eleitorais.
Acertar o partido na nova legislação virou 50% da garantia da eleição de um candidato, porque a legislação determina piso e teto mínimo de desempenho individual e um quociente partidário mínimo pra acessar as vagas.
Até 6 de abril tem outro desafio para os partidos que é conseguir montará a chapa com nomes competitivo, em especial nomes de mulheres para compor as chapas proporcionais.
A lei determina que pelo menos 30% da nominata seja formada de mulheres. Em Cuiabá, por exemplo, tem que ter 6 candidatas na chapa por partido.
Parece fácil, mas para se ter uma ideia das dificuldades, em Cuiabá apenas 6 mulheres ultrapassaram a casa de mil votos nas últimas eleições de 2020.
E a justiça eleitoral está de olho nas chamadas mulheres “laranjas”, aquelas que “emprestam” ou vendem o nome para cumprir cota legal e nem sequer pedem voto nas ruas.
Com a diminuição do número de candidatos nas chapa para 100% + 1 nomes de acordo com o número de cadeiras existentes na Câmara, diminuirá também o espaço nos partidos para os chamados aventureiros, pipoqueiros, como o lendário “Mandioca Neles”. Parece que agora a política finalmente virou coisa séria e d e profissionais.
Vai ficar mais sem graça os horários eleitorais esse ano.
A política se profissionalizou demais e pelas novas regras quem não tiver um nicho eleitoral forte e uma bandeira agregativa e de preferência um boletim de urna nas mãos para saber seu tamanho e potencial eleitoral é melhor nem entrar na disputa, porque quem não tem as manhas não entra não!
Em Cuiabá, teremos aproximadamente 280 candidatos, bem diferente das eleições passadas que teve quase 400 nomes, isso ocorrerá em tod o Estado.
O sucesso de uma chapa hoje em dia não é mais a quantidade de nomes e sim a qualidade e a sabedoria de saber montar a nominata com cabeça, corpo e rabo de chapa viabilizando a meta partidária proposta.
Como o brasileiro mediano não sabe fazer conta nem de padaria, imagina fazer contas de médias eleitorais para formar quociente, vai ter muito gaiato virando boi de piranha nas eleições ou escada de políticos profissionais.
É preciso ter muito cuidado com os nomes de última hora ou chamados “candidato que caiu do céu”, vereadores que vão a reeleição ou candidatos “bichos papão” que são empurrados a fórceps no fechamento das chapas para usar os demais de trampolim.
Em geral quem fica para os últimos 4 dias pode não conseguir outra sigla. Por isso exija um prazo anterior ao dia 06/04 para fechar a nominata evitando supresinhas desagradáveis no fechamento da afiliações.
Outra dica é exigir dos dirigentes uma reunião com todos os membros da chapa para ver quem “realmente” está concorrendo no cara-cara, porque papel aceita tudo e pode ser que muitos nomes nem estejam na chapa, apenas no papel para induzir ao erro na escolha.
Como é uma fase que “todo mundo conversa com todo mundo” é normal em vários partidos terem os mesmos nomes em várias listas de pré candidatos por especulação.
È óbvio que ter maior números de eleitos amplia as possibilidades também de se fazer rodízio no mandato.
Mas, o suplente no mandato tem pouca voz e vez, tem vereador no mandato que para abrir para o rodízio negocia tudo: o direito ao voto, os cargos no gabinete e até mesmo a Verba Indenizatória, mesmo sendo ilegal.
É preciso deixar claro na negociação da formação da chapa esses direitos do suplente como funcionará no futuro. Seguro morreu de velho.
Feito as chapas, ainda tem todo um longo percurso até as eleições para regrar as “plantinhas do jardim”, porque senão cumprir os chamados “combinados”, a tal da “estruturinha”, a chapa pode se desfazer em revolta derrubando o quociente geral e ferrando a estratégia do partido. Haverão sinais.
Haja paciência entre os dirigentes partidários e profissionais da política, daqui até dia 06/04 para aguentar esse converseiro e especulação política.
Na média geral, brasileiro não entende direito para que serve vereador e a maioria vota por alguma conveniência ou relação pessoal com os candidatos, por algum previlégio e vantajosidade.
Furar essa bolha de quem já está no mandato não será exercício fácil, pois vivemos o apogeu da política, mas nada é impossível.
Muita calma nessa reta final, pois um velho cacique me falou que tem alguns partidários que se especializaram em fazer a chamada “chapa trouxa” que é formada por um monte de candidatos de primeira viagem que não sabem fazer contas e caem na lábia de que serão eleitos e depois da apuração descobrem que só serviram de trampolim para eleger outros políticos, geralmente que já estão nos mandatos de vereador.
Suelme Fernandes é mestre em História e analista político
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