- Pela Redação
- 29/05/2023
ISTOÉ
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país está ‘preparado para lançar uma segunda onda de ataques, se for necessário’ após realizar a captura de Nicolás Maduro e capitanear um ataque militar na Venezuela durante a madrugada deste sábado, 3.
Em coletiva de imprensa realizada por volta das 13h45 (horário de Brasília), primeiro pronunciamento de Trump desde a incursão militar, o republicano disse que se tratou de ‘uma operação militar extraordinária’ e que isso foi para ‘tirar o ditador Nicolás Maduro de lá e o trazer para responder na Justiça’.
“Nós estamos preparados para lançar uma segunda onda de ataques se for necessário. Nós entendemos que uma segunda onda pode ser necessária, mas por ora não, já que esta primeira foi bem sucedida. Não precisamos de uma segunda onda de ataques agora, mas estamos preparados para uma segunda, uma muito maior, na verdade”, disse.
O republicano também disse que ‘o poder militar americano foi utilizado por terra, água e ar’ e que ‘foi um ataque que as pessoas não viam desde a Segunda Guerra Mundial’.
Transição de poder
O presidente dos Estados Unidos ainda declarou que o país irá ‘administrar a Venezuela‘ de forma interina.
“Ficaremos lá até que uma transição apropriada aconteça”, disse.
“Não queremos que outra pessoa assuma o poder e que a situação se repita há muitos anos. Portanto, vamos governar o país”, acrescentou.
O controle do país será feito através de um ‘grupo’ que, segundo o republicano, ainda está sendo designado e terá os integrantes revelados em breve.
Durante a coletiva de imprensa, Trump também apontou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, mantém diálogos com a líder oposicionista María Corina Machado, que por sua vez tem pleiteado uma tomada de poder imediata pela oposição, com Edmundo González na figura de chefe de Estado e presidente legítimo.
Nesse sentido, o presidente dos EUA considera que Corina em si não possui autoridade suficiente para chefiar o país após a queda de Maduro.
“É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela”, declarou.
Associação de Maduro com o narcotráfico
Além disso, também frisou as acusações de associação do governo de Maduro com o narcotráfico
“Como foi dito em uma acusação forma, ele [Maduro] supervisionou a organização conhecida como Cártel de los Soles, que invadiu nosso país com esse veneno fatal [drogas] responsável pela morte de incontáveis americanos. Centenas de milhares morreram ao longo dos anos por conta disso. Maduro e sua esposa agora irão encarar o poder da Justiça americana.”
Segundo Trump, o governo tem ‘evidências imensas’ dos crimes de Maduro, que serão apresentadas no tribunais.
“É horrível e de tirar o fôlego”, disse o republicano sobre as supostas evidências.
O julgamento de Maduro ainda não teve local confirmado, mas Trump disse que deve ocorrer em Nova York ou Miami.
Doutrina Monroe
Na sua fala, Trump também citou a Doutrina Monroe, alegando que ‘o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado’.
“Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região”, disse
A Doutrina Monroe foi anunciada em 1823 pelo então presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em um contexto de reorganização política das Américas após as independências de vários países latino-americanos.
Em linhas gerais, a doutrina prevê que o continente americano não deveria mais ser alvo de colonização ou interferência de potências europeias. Em troca, os Estados Unidos afirmavam que não se envolveriam nos assuntos internos da Europa nem em suas guerras. A ideia central ficou sintetizada na expressão “a América para os americanos”, ainda que essa formulação tenha sido popularizada posteriormente.
Ao longo do tempo, a Doutrina Monroe deixou de ser apenas uma declaração defensiva e passou a servir como base para a política externa dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.
A partir do final do século XIX e, sobretudo, no século XX, o princípio foi reinterpretado para justificar intervenções políticas, econômicas e militares em países da América Latina, sob o argumento de proteger a região de influências externas. Assim, o que começou como um aviso às potências europeias acabou se tornando um dos pilares da atuação dos EUA nas relações interamericanas.
EUA estará ‘muito envolvido’ com petróleo da Venezuela, diz Trump
O presidente dos Estados Unidos também declarou que o país estará ‘muito fortemente envolvido’ na indústria de petróleo da Venezuela em entrevista à FOX News.
Na coletiva, disse que as ‘gigantescas companhias petrolíferas’ americanas vão ‘gastar bilhões de dólares’ para ‘consertar a infraestrutura petrolífera’ da Venezuela.
Ele também acusou os últimos governos do país de terem se apropriado da indústria petrolífera que teria sido construída com ajuda de americanos.
“Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores.”
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