- Pela Redação
- 29/05/2023
Entretê
Macumba se popularizou como termo genérico para se referir ao Candomblé e à Umbanda. É usado de maneira pejorativa por quem deseja atacar as religiões afro-brasileiras.
Nos últimos dias, ganhou destaque por três situações midiáticas. A primeira foi a participação de Marcia Goldschmidt em ‘No Alvo’, programa de entrevistas do SBT.
A apresentadora se mostrou desconfortável ao ser questionada sobre antiga fofoca de rivalidade. “Um ex-colega fofoqueiro te acusou de fazer macumba contra ele no estúdio do programa Mulheres; ele passou mal, foi internado”, disse a voz oculta, referindo-se ao jornalista Leão Lobo.
“Foi internado na Psiquiatria?”, disparou Marcia. “Nós sabemos que as pessoas que não têm relevância precisam criar delírios com o nome das pessoas que têm relevância para conseguir algum espaço… Eu não faço macumba, eu faço audiência.”
Esta ‘lenda’ dos bastidores da TV persegue Goldschmidt há 20 anos, assim como Mara Maravilha lida com o boato de ter feito trabalho espiritual contra Angélica na década de 1990. “Nunca bati tambor, respeito a religião, mas já tive fama de macumbeira e nunca fiz macumba”, afirmou no ‘Jogo dos Três Pontinhos’ anos atrás.
Ofensa na missa
Outra repercussão sobre macumba ocorreu a partir de declaração do padre Danilo César de Sousa Bezerra em missa na cidade de Areial, na Paraíba.
Ele zombou da fé de Preta Gil, adepta do Candomblé, vítima de câncer aos 50 anos.
“Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse diante dos fiéis.
O sacerdote foi denunciado à polícia por intolerância religiosa. A diocese da região divulgou nota se dizendo “comprometida com os direitos constitucionais da liberdade de crença e de culto, da igualdade e não discriminação religiosa, do direito à honra e à imagem dos mortos e do princípio da dignidade da pessoa humana”.
A discriminação identificada nas palavras debochadas e desrespeitosas do padre refletem o crescimento dos ataques a terreiros de Candomblé e Umbanda no Brasil e às pessoas que usam vestimentas e acessórios associados às religiões de matriz africana.
Preta Gil sempre defendeu o respeito às religiões e a prática livre de diferentes crenças, inclusive se casou sob as bênçãos de um padre numa igreja tradicional do Rio.
Galinha para Trump
Ao vivo no ‘É de Casa’, da Globo, Alcione provocou risos - e irritou os conservadores devotos da América - ao reprovar as ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil.
“Quero mandar um recado pro Trump. Ele precisa deixar o Brasil em paz, larga o Alexandre de Moraes, nosso ministro maravilhoso. Quando sair daqui vou fazer uma macumbinha pra Trump”, disse, suscitando risadas entre apresentadores e convidados. “Nesta terra tem uma coisa que ele não tem lá: macumba. Será que a macumba deles lá é boa?”
A ‘ameaça’ de Alcione foi festejada no X com incontáveis posts de apoio. Um deles brincou: “Trump tem a bomba atômica e o Brasil tem a macumba da Alcione”. Houve também, obviamente, mensagens de desaprovação contra a cantora.
A artista nasceu num lar católico no Maranhão, teve contato com o Espiritismo kardecista (se submeteu a uma cirurgia com o famoso espírito do Dr. Fritz para curar um tumor na garganta) e depois passou a se dedicar à Umbanda e ao Candomblé. É filha de Xangô e Yansã.
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