Jeniffer Costa defende mãe após prisão: revela abuso e apela para vítimas de violência doméstica

Filha de Verônica Costa faz desabafo público defendendo mãe presa e alertando mulheres sobre relacionamentos abusivos



Jeniffer Costa, filha da ex-vereadora Verônica Costa, quebrou o silêncio nesta sexta-feira (25/9) através de um vídeo publicado nas redes sociais, logo após a prisão de sua mãe. Em seu depoimento, a jovem manifestou total apoio à mãe, descrevendo-a como vítima de violência doméstica durante seu relacionamento com Márcio Costa e fazendo um chamado urgente para que outras mulheres abandonem relacionamentos perigosos.

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Verônica foi detida na quinta-feira (24/9), após esgotar todos os recursos judiciais em um processo que a condenou a 10 anos e oito meses de cadeia por tortura contra seu ex-marido. Durante seu relato emocionante, Jeniffer referiu-se a Márcio como "abusador" e argumentou que os papéis de vítima e acusado teriam sido invertidos nos procedimentos legais.

"A minha mãe não é uma bandida", desabafou com emoção.

Mãe teria vivido sob constante ameaça

No vídeo divulgado, Jeniffer enfatizou que sua mãe teria enfrentado uma relação repleta de abusos e chegou a correr risco de morte. A filha fez um apelo direto às mulheres em situações similares, destacando a importância de resistência e luta pela sobrevivência.

"Eu quero falar que a minha mãe é o símbolo da resistência das mulheres. Era ela ou era ele. A minha mãe poderia estar morta, eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando ou no enterro da minha mãe. E eu quero falar isso para todas vocês, mulheres. Resistam, resistam", comunicou.

Jeniffer narrou episódios que, segundo ela, incluíram agressões físicas e ameaças com arma de fogo. Ela revelou que familiares, inclusive sua avó, teriam alertado Verônica repetidamente para encerrar o relacionamento, mas sem sucesso imediato.

Filha de Verônica Costa quebra o silêncio após prisão da mãe e faz desabafo: “era ela ou ele”

A filha mencionou que sua mãe já havia procurado a polícia antes de Márcio formulizar as acusações contra ela, com uma queixa formal registrada envolvendo a portaria de arma de fogo.

"A minha mãe foi atrás da polícia por ajuda. Se você vir, antes de o abusador ter acusado a minha mãe, a minha mãe já tinha uma queixa contra ele, porque ele tinha uma arma atrás da minha mãe", relatou.

Impacto dos medicamentos controlados na rotina familiar

Jeniffer trouxe à tona um aspecto adicional do relacionamento: o uso frequente de medicamentos controlados prescritos durante o casamento. De acordo com a filha, Verônica recebia remédios para dormir que a deixavam indisponível, afetando seu desempenho profissional e sua presença na vida da filha.

"A minha mãe é do médico, ele dava muito remédio para a minha mãe dormir à noite. Ela tinha muitas vezes, muitas das vezes, falta no trabalho. Ela não conseguia levantar, só ficava deitada por muitos anos", explicou.

Jeniffer ressaltou que o período de dez anos de casamento praticamente apagou suas memórias com a mãe, com apenas momentos pontuais de conexão permanecendo em sua memória.

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Controle obsessivo marca relacionamento

Outro ponto central no relato de Jeniffer foi o comportamento controlador de Márcio. Segundo ela, ele acompanhava Verônica constantemente, inclusive em consultas médicas, impedindo qualquer momento de privacidade ou independência.

"Quando ele estava com a minha mãe, ele estava sempre grudado. A minha mãe ia trabalhar, ele estava com ela. A minha mãe ia para o médico, ele tentava entrar no consultório do médico com ela. Eu nunca tive minha mãe sozinha esse tempo todo", descreveu.

Jeniffer calculou que entre os dez anos de casamento e os quinze anos de processo judicial, sua mãe teve sua liberdade psicológica comprometida por aproximadamente vinte e cinco anos, extensão do sofrimento que também alcançou toda a família.

Mensagem de resistência e apoio familiar

A jovem agradeceu publicamente aos familiares que permaneceram solidários a Verônica durante todo o processo judicial, destacando a importância do suporte familiar em momentos de crise.

"Eu quero agradecer todos os familiares que estão com a minha mãe nesse processo. Porque a gente precisa da nossa família para nos defender, quando as coisas estão ruins", expressou.

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Jeniffer encerrou seu depoimento reafirmando sua determinação de continuar lutando pela mãe, demonstrando orgulho pelo exemplo de coragem e dedicação que Verônica sempre representou. A filha também ampliou seu apelo às mulheres em geral, pedindo que elas cuidem de si mesmas e busquem ajuda quando necessário.

"Essa minha mensagem é para falar que eu não vou desistir de lutar pela minha mãe. Eu tenho muito orgulho da minha mãe. A minha mãe não é uma bandida", finalizou com convicção.

Transferência para presídio na Zona Norte

Posteriormente, nesta mesma sexta-feira (25), Verônica Costa foi removida da Delegacia de Polícia de Capturas e Polícia Interestadual e encaminhada ao Instituto Penal Oscar Stevenson, localizado em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A ex-vereadora havia sido localizada e capturada em Petrópolis seguindo uma operação de busca e apreensão. Sua condenação foi determinada por tortura contra Márcio Costa, sobrinho do empresário Rômulo Costa, associado à organização Furacão 2000 e ex-marido de Verônica.

Na ocasião da transferência, Verônica foi transportada algemada, acompanhada por sua irmã Tatiane Chaves Ribeiro, que também foi presa por participação nos eventos descritos.

Após sua captura, Verônica reiterou suas convicções de que a condenação é injusta e que o verdadeiro agressor continua em liberdade.

"O agressor está solto e eu estou presa. Eu não mereço estar presa. A Justiça errou comigo. Eu não sou nenhuma bandida. Nunca, vê o meu histórico, eu tenho 36 anos de vida pública", afirmou.

Reconstituição do caso de tortura

A acusação formalizada por Márcio Costa tem origem em 2011. Conforme seu depoimento na época, ele teria sido atraído para um local que posteriormente funcionou como cativeiro. Márcio relatou ter sido imobilizado com cordas e correntes, sofrendo agressões perpetradas por Verônica e quatro familiares adicionais.

De acordo com o relato do acusador, o incidente teria perdurado aproximadamente vinte horas. Márcio mencionou que seu corpo foi coberto com combustível e que recebeu ameaças de incêndio. Ele também descreveu o lançamento de inseticida em seu rosto.

Além de Verônica e Tatiane, Bruno Chaves Ribeiro, irmão da ex-vereadora, e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane, foram detidos na quinta-feira (24). Um quinto integrante do grupo permanece desaparecido.

Origem do relacionamento e conflitos anteriores

O relacionamento entre Verônica e Márcio originou-se após o término de seu casamento com Rômulo Costa. No início dos anos 2000, Rômulo acusou Verônica de manter envolvimento com seu sobrinho Márcio dentro de sua própria residência.

Verônica negou categoricamente as acusações na ocasião. Porém, tempos depois, ela efetivamente iniciou um relacionamento com Márcio, culminando no matrimônio entre ambos.

Em declaração posterior concedida a veículos de comunicação, Verônica revelou que sua aproximação com o sobrinho de Rômulo teria sido motivada por vingança. Ela afirmou ter descoberto uma possível traição de Rômulo com Priscila Nocetti, que era musa da Furacão 2000 naquele período.

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