Mato Grosso contabiliza 21 feminicídios em 2026; Cuiabá e Várzea Grande lideram estatísticas

Observatório Caliandra revela dados alarmantes sobre violência contra mulheres no estado em primeiro semestre



Mato Grosso acumula 21 casos de feminicídio nos primeiros meses de 2026, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira, 10 de junho, pelo Observatório Caliandra, vinculado ao Ministério Público estadual. Os números evidenciam uma situação preocupante de violência de gênero no território mato-grossense.

A capital Cuiabá e Várzea Grande encabeçam a lista de municípios mais afetados, ambas com três feminicídios registrados. Vila Bela da Santíssima Trindade e Tangará da Serra ocupam a sequência com dois casos cada, enquanto outros dez municípios contabilizam uma morte cada: Tapurah, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Poxoréu, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Chapada dos Guimarães e Brasnorte.

Quanto aos locais onde os crimes ocorreram, o ambiente doméstico prevalece nos registros. Nove vítimas foram mortas em residências, sendo sete no próprio domicílio. Quatro assassinatos aconteceram em vias públicas e um em local não identificado, demonstrando o alto risco enfrentado por mulheres dentro de seus lares.

A análise das motivações aponta para uma estrutura sistemática de violência misógina. Oito crimes foram motivados por menosprezo à condição feminina. Ciúmes ou sentimentos de posse levaram a cinco mortes. Quatro assassinatos ocorreram em contexto de separação ou término de relacionamento, enquanto três seguiram discussões. Um crime foi relacionado a questões financeiras.

Os dados sobre os autores revelam que nove mulheres foram mortas por companheiros. Cinco casos envolvem perpetradores sem vínculo com as vítimas. Três crimes foram cometidos por familiares, dois por ex-companheiros, um por relação casual e um por namorado.

Quanto ao método utilizado, as facadas destacam-se como principal instrumento letal, responsáveis por dez dos 21 óbitos. Este dado sublinha a brutalidade dos crimes investigados.

A distribuição temporal dos casos ao longo do ano revela intensificação em determinados períodos. Março concentrou o maior número de ocorrências com seis feminicídios. Maio apresentou quatro casos, seguido por abril e junho com três cada. Janeiro e fevereiro registraram dois casos em cada mês.

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