- Pela Redação
- 29/05/2023
Um casarão histórico com aproximadamente 150 anos de idade, localizado na Rua São Joaquim no Bairro Porto de Cuiabá, iniciou seu processo de demolição na tarde de quinta-feira (22), imediatamente após sua venda. A estrutura secular não possuía proteção legal de tombamento pelas instituições competentes, circunstância que provocou reações de indignação entre moradores e profissionais especializados em preservação do patrimônio.
Francisco das Chagas Rocha, pesquisador vinculado ao Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT), descobriu sobre a demolição quando passava pela região no período vespertino. Segundo ele, a residência foi construída originalmente pelo coronel José Antônio de Souza Albuquerque, cognominado Coronel Juca de Albuquerque, que exerceu o cargo de prefeito de Cuiabá durante três gestões consecutivas. O coronel era casado com Maria da Glória Albernaz, e juntos constituíram família de 18 filhos.
Rocha destaca a importância histórica do local, ressaltando que a propriedade pertencia à tradicional família Albuquerque e contava com mais de um século de história. "A rua onde a casa está localizada possui mangueiras antigas, plantadas pelos proprietários originais em 1913. Somente essas árvores possuem 113 anos de idade, demonstrando que a residência é ainda mais antiga que isso", explica o historiador.
Após o falecimento do ex-prefeito e de sua consorte, o casarão permaneceu sob responsabilidade da filha Clarice Albernaz de Albuquerque, que residiu na propriedade durante muitos anos até seu falecimento, sendo a última habitante do imóvel.
Os sucessores de Clarice efetuaram a venda da residência a um casal que manifestava intenção de restaurar a estrutura centenária, documentando todo o processo de recuperação nas redes sociais. "Eles planejavam fazer uma restauração completa. Era gratificante acompanhar as publicações diárias relatando as descobertas durante a obra, porém posteriormente venderam o imóvel para outro proprietário que optou pela demolição completa", relata Francisco.
Conforme o historiador, o imóvel não recebeu designação de tombamento devido ao fato de estar situado fora do perímetro estabelecido como zona de preservação histórica pela administração municipal. "A prefeitura possui a competência de identificar construções que apresentem valor arquitetônico significativo e que mereçam ser preservadas para gerações futuras, podendo formalizar processo de tombamento", pondera Rocha.
Em manifestação realizada em rede social, Francisco expressou seu lamento pela perda. "Cuiabá sofre nova diminuição de seu acervo histórico. Aqueles de nós que reconhecem a importância da memória coletiva não podemos permanecer indiferentes a essa perda irreparável", conclui o pesquisador.
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