Bombeiros combatem incêndio florestal em Mato Grosso e realizam operações em seis municípios

Corpo de Bombeiros extingue um foco e enfrenta múltiplas ocorrências em regiões de Mato Grosso com apoio de forças federais.



O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) conseguiu extinguir um incêndio florestal e segue enfrentando seis focos simultâneos em diferentes localidades do estado. As operações ocorrem nos municípios de Rondonópolis, Nova Santa Helena, Paranatinga, Rosário Oeste e Nobres, envolvendo estratégias coordenadas com participação de forças federais, brigadistas e produtores rurais da região.

Na localidade de Rondonópolis, próximo à MT-471, as equipes finalizaram o combate a um grande incêndio que atingiu uma área federal sob responsabilidade do 18º Grupo de Artilharia de Campanha (18º GAC), do Exército Brasileiro. O fogo iniciou no domingo à tarde e mobilizou uma força-tarefa integrada que utilizou maquinários pesados, incluindo motoniveladora, pá-carregadeira e cinco caminhões-pipa da instituição militar, além da infraestrutura operacional completa do CBMMT.

O combate utilizou técnicas combinadas de ação direta e indireta, com abertura estratégica de aceiros e execução de contrafogo durante o período noturno. Essas abordagens permitiram direcionar o avanço das chamas em direção ao curso do rio, onde a propagação perdeu intensidade e foi controlada. Apesar do controle, monitoramento contínuo segue nas áreas com presença de fumaça para evitar reacendimento de focos dormentes.

Investigações realizadas identificaram registro em vídeo de um indivíduo ateando fogo na vegetação, supostamente sendo o responsável pela ação que desencadeou a propagação rápida do incêndio pela região. As forças de segurança trabalham na localização do suspeito envolvido.

Em Nova Santa Helena, operações intensas continuam em um incêndio que afeta área de assentamento sob jurisdição federal. Diante da dimensão da situação, o CBMMT solicitou reforços ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman) para ampliar a capacidade de resposta.

Essa operação alcançou seu sétimo dia de duração com pessoal atuando permanentemente para evitar avanço das chamas sobre territórios estaduais. O esforço envolve militares, brigadistas, equipes da Força Nacional e proprietários rurais que disponibilizaram equipamentos para auxiliar nas ações. Uma aeronave participante da operação já registra 15 horas de voo e cerca de 52,2 mil litros de água despejados nas áreas atingidas.

Operações de fiscalização ambiental acompanham os trabalhos, resultando em quatro prisões em flagrante por crimes ambientais registradas durante as ações de combate na região.

Em Paranatinga, o foco concentra-se no distrito de Santiago do Norte, enquanto Rosário Oeste enfrenta incêndios nas imediações da cabeceira do Rio Cuiabá e em propriedade rural. Nobres apresenta ocorrência similar nas proximidades do foco de Rosário Oeste, com militares igualmente mobilizados.

As operações adotam planejamento estratégico prioritário no combate às chamas, monitoramento das regiões sinistradas e proteção de vidas, patrimônio rural e recursos naturais.

O Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), Defesa Civil Estadual, Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e Polícia Militar trabalham de forma articulada quando necessário, reforçando a estrutura estadual de resposta a ocorrências de incêndios florestais.

Levantamento de focos térmicos

Mato Grosso registrou 63 focos de calor nas 24 horas anteriores conforme monitoramento realizado às 17 horas através do Programa BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizando dados do Satélite de Referência (Aqua Tarde).

Do total identificado, 24 focos localizaram-se em territórios indígenas. A distribuição incluiu 13 focos na Terra Indígena Areões em Nova Nazaré; três na Terra Indígena Marechal Rondon em Paranatinga; três na Terra Indígena São Marcos em Barra do Garças; dois na Terra Indígena Parabubure em Campinápolis; um na Terra Indígena Marãiwatsédé em Alto Boa Vista; um na Terra Indígena Pimentel Barbosa em Canarana; e um na Terra Indígena Tapirapé/Karajá em Santa Terezinha.

É relevante observar que um foco de calor isolado não caracteriza automaticamente um incêndio florestal. O indicador de foco de calor representa detecção por satélite de área com temperatura elevada, podendo ou não estar associado à ocorrência efetiva de fogo.

Um incêndio florestal, em contraste, identifica-se pela concentração de múltiplos focos de calor na mesma localidade. Em territórios indígenas, o combate compete especificamente a órgãos federais, pois o estado não dispõe de autorização legal para atuar.

Operação Infravermelho

O CBMMT realiza vigilância sobre utilização não autorizada do fogo no município de União do Sul mediante a Operação Infravermelho. O acompanhamento funciona através da Sala de Situação Central sediada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) em Cuiabá.

Com apoio de imagens de satélite e tecnologias complementares, a operação busca identificar precocemente zonas com potencial para incêndios florestais ou locais onde fogo foi iniciado de maneira ilícita, atuando simultaneamente em prevenção e responsabilização de transgressores.

Incêndios já controlados

Desde o início da fase proibitiva para uso de fogo em Mato Grosso, o CBMMT participou da extinção de incêndios nos municípios de Boa Esperança do Norte, Canarana, Dom Aquino, Chapada dos Guimarães, Colniza, Guarantã do Norte, Guiratinga, Nova Maringá, Paranatinga, Ribeirão Cascalheira, Rosário Oeste, São Felix do Araguaia e União do Sul.

Restrições ao uso do fogo

O CBMMT reafirma à população a proibição para utilização do fogo em limpeza e manejo de áreas rurais abrangendo os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, compreendendo o período de 1º de julho a 30 de novembro de 2026. Em perímetro urbano, a utilização do fogo encontra-se proibida permanentemente ao longo de todo o ano.

A utilização não autorizada do fogo configura infração ambiental e submete-se às sanções legais estabelecidas. Além de proibida, a prática expõe riscos à segurança da população, à saúde pública e à preservação ambiental. Situações de uso irregular devem ser comunicadas através dos números 193 (CBMMT) ou 190 (Polícia Militar).

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