- Pela Redação
- 29/05/2023
Um adolescente de 17 anos internado no Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande enfrenta complicações graves após sofrer um acidente motociclístico em Nossa Senhora do Livramento. A situação gerou preocupação familiar quando larvas foram detectadas no ferimento do braço do jovem Vanderson Campos de Magalhães, levando seus familiares a denunciar falhas no atendimento e condições inadequadas de higiene na unidade.
O paciente deu entrada na instituição no domingo após cair da motocicleta e sofrer fraturas nos membros superiores e inferiores. Conforme relato de sua mãe, Creonice Silva Campos, o jovem foi submetido a procedimento cirúrgico no mesmo dia da internação. Dois dias depois, apresentou queixa de incômodo no braço, quando a família identificou a presença de larvas emanando do local operado. Vídeos documentados pelos familiares mostram o parasita entrando e saindo da ferida aberta.
De acordo com Creonice, o adolescente deveria ter recebido curativo apropriado e manutenção higiênica do ferimento. Ela relata que procurou a equipe médica reclamando das condições e que seu filho foi levado novamente ao bloco cirúrgico, onde 15 larvas teriam sido removidas da área afetada. A mãe argumenta que a demora em realizar banho adequado e limpeza regular do curativo contribuiu para a infestação.
As denúncias da família se estendem às condições gerais do quarto onde Vanderson permanece internado. Segundo relatos, o ambiente não recebe limpeza diária, não possui climatização e apresenta falta de infraestrutura básica. A mãe informou ter precisado limpar o chão com lençol para conseguir deitar durante seu acompanhamento ao filho.
Outros pacientes na unidade corroboram as reclamações sobre limpeza deficiente. Tamires Silva, familiar de outra paciente internada, descreveu ambientes com lixeiras transbordando, banheiros em condições precárias, acúmulo de resíduos e papéis higiênicos descartados inadequadamente. Segundo relatos de pessoas no hospital, a equipe de limpeza foi drasticamente reduzida de 11 para apenas dois funcionários.
A crise na limpeza hospitalar é atribuída à inadimplência nos pagamentos da empresa contratada para o serviço. A Servlimp, responsável pelos trabalhos de higiene, teria seus repasses atrasados há seis meses, levando à redução do quadro de colaboradores. Quando procurada, a empresa optou por não fazer declarações à imprensa sobre a situação.
A gestão municipal afirma que a empresa de limpeza continua prestando serviços na unidade de saúde, mas não comentou sobre alegações de atrasos nos pagamentos que estariam causando a escassez de pessoal. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso comunicou que acompanhará o caso através de seus setores de sindicância e fiscalização, com objetivo de avaliar as condições oferecidas ao paciente durante seu internamento.
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