- Pela Redação
- 29/05/2023
O tribunal de apelação italiano divulgou na sexta-feira (12 de junho) os fundamentos jurídicos para cancelar o processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. De acordo com a sentença, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, desempenhou simultaneamente os papéis de vítima e magistrado julgador, configurando grave violação aos direitos processuais.
A decisão, proferida em 22 de maio deste ano, acolheu as argumentações da defesa de Zambelli, reconhecendo a ocorrência de violação do direito fundamental a um julgamento imparcial. A corte italiana destacou a incompatibilidade entre as múltiplas funções exercidas por Moraes no processo.
Segundo o texto da sentença, publicado em italiano, o tribunal identificou "insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M. [Ministro Alexandre de Moraes], integrante do Supremo Tribunal Federal do Brasil, em violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz".
Zambelli foi presa em julho do ano anterior. A ex-legisladora, atualmente foragida do país, deixou o Brasil para não cumprir a condenação de dez anos de cadeia por invasão de sistemas informáticos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela recobrou a liberdade no dia 22 de maio, quando a decisão italiana foi publicada.
Conforme a investigação brasileira, Zambelli e o especialista em cibernética Walter Delgatti Netto teriam perpetrado invasões em seis plataformas do Poder Judiciário em treze ocasiões distintas. Os investigadores apontam a inserção de dezesseis documentos fraudulentos, compreendendo um mandado prisional falsificado contra o ministro Moraes e ordens para investigação financeira e confisco patrimonial.
O Ministério Público Federal imputou dez acusações penais à ex-deputada, caracterizando-a como ordenadora das ações criminosas perpetradas.
Na fundamentação da anulação, os magistrados italianos ressaltaram que a carência de imparcialidade e autonomia no julgamento de Zambelli impediu juridicamente sua entrega ao Brasil. A corte explicou que "é indiscutível que (Alexandre de Moraes) é considerado prejudicado pelos crimes imputados à recorrente (Carla Zambelli), dado o dano ocasionado pela introdução no sistema informático do Conselho Nacional de Justiça do documento relativo ao mandado de prisão falsificado expedido contra ele".
Moraes desempenhou a função de relator no processo que determinou a condenação de Zambelli e, simultaneamente, figurou como vítima de um dos delitos praticados pela acusada, gerando conflito irreconciliável de interesses.
Anteriormente, Carla Zambelli foi inserida na lista vermelha da Interpol após abandonar o território nacional, seguindo sua condenação unânime pelo Supremo Tribunal Federal por infiltração nos sistemas do CNJ.
Em 25 de maio do ano passado, a ex-representante deixou o Brasil pelo interior, atravessando a fronteira argentina próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná. Sua jornada prosseguiu para o continente norte-americano e posteriormente para a Itália, onde foi detida em 29 de julho. Inicialmente conduzida à ala penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, conquistou sua liberação em 22 de maio, data coincidente com a publicação da decisão que anulou sua extradição.
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