- Pela Redação
- 29/05/2023
A República Islâmica do Irã apresentou um conjunto de 14 exigências para viabilizar um acordo de paz com os Estados Unidos, conforme divulgado pela agência estatal Mehr. Entre os requisitos fundamentais estão a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, além do compromisso americano de não interferir nos assuntos internos iranianos.
O documento também inclui demandas econômicas e estratégicas de grande relevância. Teerã solicita a suspensão completa do bloqueio naval em até 30 dias, a retirada das forças militares norte-americanas da região e a reabertura do Estreito de Ormuz sob condições definidas pelo Irã. Outra exigência crucial envolve o fim das sanções relacionadas à venda de petróleo e derivados petroquímicos, acompanhado do acesso pleno do país aos seus recursos financeiros congelados.
Na dimensão financeira, o Irã reclama que Estados Unidos e seus aliados apresentem planos de reconstrução econômica no valor mínimo de US$ 300 bilhões. Além disso, solicita a liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos bloqueados, com metade do montante disponibilizado antes do início das negociações finais.
As negociações para um acordo final foram estabelecidas para ocorrer durante 60 dias, focando em questões nucleares e na remoção completa de sanções primárias e secundárias impostas pelos EUA. O Irã reitera seu compromisso com o Tratado de Não Proliferação Nuclear e nega intenções de desenvolver armamentos nucleares.
Durante o período de negociações, Washington se compromete a não ampliar sua presença militar no Oriente Médio nem impor novas sanções ao país. O Irã também exige a criação de um mecanismo de supervisão para garantir o cumprimento dos acordos e que o documento final seja aprovado por resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Uma cláusula importante especifica que as negociações finais somente começarão após a liberação de metade dos recursos financeiros bloqueados, a suspensão das sanções ao petróleo iraniano e o término do bloqueio naval. O acordo final abordará exclusivamente questões relacionadas ao enriquecimento nuclear e sanções econômicas, excluindo permanentemente discussões sobre o programa de mísseis iraniano e apoio a grupos de resistência.
A confirmação do acordo de paz entre Washington e Teerã foi anunciada na noite de domingo (14) por Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O conflito entre as duas nações estendeu-se por aproximadamente quatro meses, marcado por escalações militares recentes.
Sharif declarou que ambas as partes anunciaram o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes. De acordo com autoridades iranianas, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está agendada para 19 de junho na Suíça.
Em sua publicação na rede Truth Social, Trump afirmou: "O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!" O presidente americano também autorizou a abertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios ou taxas, além da remoção imediata do bloqueio naval. "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", completou.
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, confirmou à televisão estatal que o cessar-fogo entrará em vigor ainda naquela noite. Segundo ele, as negociações para um acordo final prosseguirão durante 60 dias, abrangendo questões nucleares, fim das sanções e mecanismos de reconstrução econômica.
Divergências surgiram quanto à data de assinatura do memorando. Enquanto Trump havia indicado que a assinatura ocorreria no domingo (14), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a data exata ainda precisaria ser confirmada. Sharif mencionou uma assinatura eletrônica esperada dentro das 24 horas seguintes, acompanhada por negociações técnicas na semana posterior.
A situação diplomática permanece delicada, com Trump criticando líderes iranianos na sexta-feira (12), chamando-os de "pessoas muito desonrosas para se negociar". O presidente americano havia acusado o Irã de vazar informações sobre o acordo para a imprensa. Horas depois, no entanto, Trump compartilhou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, que afirmava estar nunca tão próximo de um entendimento.
Os avanços diplomáticos ocorrem após nova escalada de violência no Golfo Pérsico. A sequência de incidentes começou com a queda de um helicóptero militar norte-americano durante sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave, desencadeando represálias americanas contra sistemas de defesa aérea e radares iranianos.
O Irã contra-atacou com mísseis direcionados a uma base norte-americana no Bahrein. Novos ataques foram trocados entre as partes na quarta-feira (10), intensificando a tensão. Teerã respondeu aos bombardeios anunciando o fechamento do Estreito de Ormuz e alertando que a escalada tornava o cessar-fogo existente "sem sentido".
A mudança de rumo diplomático foi sinalizada por Trump na quinta-feira (11), quando o presidente cancelou uma terceira noite de operações ofensivas planejadas. Alegando que negociadores haviam chegado a consenso sobre "pontos finais" da proposta de paz, Trump afirmou que um acordo definitivo poderia ser assinado no fim de semana.
O presidente americano declarou que o "memorando de entendimento" já havia sido aprovado por todas as autoridades iranianas, incluindo o líder supremo do país. Trump ressaltou ser um acordo positivo porque garantiria que "o Irã jamais terá uma arma nuclear".
Horas depois, a agência estatal iraniana Fars negou que o país houvesse aprovado qualquer acordo até aquele momento. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", declarou a agência, gerando ambiguidade sobre o status exato das negociações.
Um alto funcionário do governo americano afirmou à Agência Reuters acreditar que existe um "acordo sólido com o Irã". O Paquistão, que mediou as negociações, expressou otimismo: "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", declarou Sharif, reiterando confiança de que o entendimento formaria "uma base sólida para uma paz duradoura".
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