- Pela Redação
- 29/05/2023
G1
A movimentação durante a janela partidária – período em que parlamentares podem trocar de partido sem sofrer punição – acabou por agravar um incômodo entre o União Brasil, que perdeu oito deputados federais, e o PL, cuja bancada ganhou o reforço de 10 deputados.
Integrantes da cúpula do União Brasil dizem que o PL “foi pra cima” de quadros do partido com protagonismo no Congresso – por exemplo:
Mendonça Filho (PE), relator da PEC da Segurança;
Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS; e
Rodrigo Valadares (SE), relator da primeira versão do projeto da anistia.
Todos eram do União e se filiaram ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além destes, outros sete deputados fizeram o mesmo movimento. O saldo considera o balanço entre os que ficaram e os que saíram.
“Quem quer aliança não pesca dentro do aquário”, disse reservadamente um integrante da cúpula do União.
Um dos incômodos, segundo interlocutores da legenda, é que o União Brasil serviu de “barriga de aluguel” para vários deputados, que se beneficiaram de postos de protagonismo e depois “pularam fora”.
Citam, como exemplo, o caso de Alfredo Gaspar, que foi escolhido para compor a CPMI do INSS na cadeira do União Brasil.
“A gente investe postos importantes para ‘o cara’ sair? Poderíamos ter potencializado outro candidato”, diz uma fonte do União.
A leitura de cenário dentro do partido é que, daqui pra frente, é preciso escolher nomes mais fiéis para ocupar determinados postos – seja na Câmara ou na Esplanada.
O agravante no caso de Alfredo Gaspar é que, ao migrar para o PL, pode acabar se tornando um adversário da federação União-PP em Alagoas, onde ainda não decidiu se vai concorrer ao Senado.
Se essa possibilidade se confirmar pode dificultar a candidatura do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Outra hipótese seria uma candidatura de Gaspar ao governo do estado.
Com a desfiliação de Ronaldo Caiado – pré-candidato à presidência da República que era do União e passou para o PSD – a avaliação de integrantes da União Brasil é que o partido “dificilmente irá apoiá-lo” e que, hoje, “a tendência é apoiar Flávio [Bolsonaro]”, mesmo com a rusga criada.
Mas o provável apoio é usado como argumento de que o PL não deveria ter avançado sobre o União Brasil.
“Muitos de nossos deputados, por exemplo o Alfredo, iam pedir voto de qualquer jeito para o Flávio”, diz essa fonte.
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