- Pela Redação
- 29/05/2023
O Partido dos Trabalhadores realiza neste domingo (2) sua convenção nacional para oficializar a candidatura do presidente Lula à reeleição. O encontro ocorre no Expo Center Norte, localizado na Zona Norte de São Paulo, com início marcado para as 10h da manhã.
Com 80 anos completados, Lula aspira conquistar seu quarto mandato presidencial. O chefe de Estado foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e escolhido novamente pelos eleitores em 2022.
Antes dessa trajetória vitoriosa, o petista participou de três pleitos anteriores sem êxito: em 1989, perdeu para Fernando Collor; em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso em ambas as oportunidades.
Uma eventual vitória neste ano permitiria que Lula accumule 16 anos na presidência da República, ficando abaixo apenas de Getúlio Vargas, que governou por pouco mais de 18 anos, porém foi eleito pelo voto popular em apenas uma ocasião.
O candidato presidencial repetirá a coligação que venceu nas eleições de 2022, permanecendo com o vice-presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), que foi oficializado pela sua legenda na quarta-feira (29). O presidente esteve presente no evento de confirmação de Alckmin.
O atual vice consolidou sua posição no interior da administração federal e estabeleceu uma relação de harmonia com Lula, apesar do histórico antigo de disputas em campanhas presidenciais quando integrava o PSDB.
Além da função de vice, Alckmin também esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atuando como intermediário entre o governo e o setor empresarial.
Para o pleito de 2026, o PT conta com o apoio de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede como parceiros na disputa presidencial. O principal adversário de Lula no processo, Flávio Bolsonaro (PL), ainda não divulgou suas alianças políticas.
As convenções partidárias têm prazo até 5 de agosto para ocorrer, quando os partidos consolidam suas candidaturas e coligações. Posteriormente, os registros de candidatura devem ser protocolados perante a Justiça Eleitoral até 15 de agosto. O período de campanha iniciará no dia subsequente.
PDT: Confirmou seu apoio à candidatura de Lula no dia 20 de julho, sendo o primeiro partido a formalizar essa aliança para 2026. A legenda justificou a decisão pela defesa da pauta trabalhista e pela necessidade de mobilizar forças políticas na resistência contra grupos de extrema-direita.
PSB: Perpetua a combinação que garantiu a vitória em 2022, reforçando a parceria entre PT e PSB para o enfrentamento da disputa presidencial em 2026.
Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): Constituída em 2022, essa federação agrupa as três legendas que integram a base político-histórica do governo. Por fazerem parte da mesma estrutura federativa, atuam de maneira conjunta nos processos eleitorais e nas atividades do Congresso Nacional.
Federação PSOL/Rede (PSOL e Rede): Congrega os dois partidos que respaldam a reeleição de Lula em 2026. O PSOL constitui um dos apoiadores históricos do petista, enquanto a Rede Sustentabilidade tem entre suas lideranças principais a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, integrante do governo Lula que se candidatará ao Senado em São Paulo pela chapa encabeçada por Fernando Haddad.
Lula principia mais um ciclo de campanha eleitoral em contexto marcado pelo aprofundamento de apurações sobre seu filho primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, vulgo Lulinha.
Na semana anterior, o ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o prosseguimento de dois procedimentos investigativos para esclarecer se Lulinha praticou os delitos de tráfico de influência e corrupção.
A conjectura é de que o descendente do chefe de Estado atuou no intuito de beneficiar gestores de negócios interessados em estabelecer transações com órgãos da administração pública, incluindo Camilo Antunes, identificado como "Careca do INSS", apontado como um dos agentes envolvidos em apropriações irregulares de benefícios de aposentadoria e pensão, conforme indicam os trabalhos investigativos da Polícia Federal.
O defensor jurídico de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, contestou que existam bases factuais para a instauração das apurações. "A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indireta com qualquer tipo de irregularidade", declarou.
O presidente Lula pronunciou-se na última quinta-feira (30), durante participação em podcast, afirmando que o descendente responderá "como filho de qualquer pessoa" e "não vai ficar escondido".
"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato.", completou Lula.
Flávio Bolsonaro apresentou sua candidatura em 25 de julho. Ronaldo Caiado (PSD) fez o mesmo no dia 26, enquanto Romeu Zema (Novo) oficializou sua candidatura no dia 27. No sábado (1º), foi a ocasião de Renan Santos (Missão) realizar sua convenção.
Lula será o último dentre os cinco principais candidatos a concretizar sua convenção de lançamento.
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