- Pela Redação
- 29/05/2023
A Polícia Civil executou nesta quinta-feira (3) uma extensa operação policial com o objetivo de desmantelar uma estrutura criminosa vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo investigado é acusado de operacionalizar a lavagem de recursos provenientes do tráfico de entorpecentes e exercer domínio sobre atividades comerciais e gestões políticas em Praia Grande, município do litoral norte de São Paulo.
A operação, batizada como Helmintos, abrange simultaneamente diversos endereços incluindo residências, imóveis comerciais, empresas e setores da administração municipal localizados em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.
Conforme as apurações conduzidas pelo Departamento de Polícia Judiciária da Região Interior 6 (Deinter 6), a organização seria constituída por figuras de comando dentro da estrutura criminosa, profissionais de operações financeiras, intermediários do mercado imobiliário e indivíduos utilizados para mascarar transações ilícitas através de documentação fraudulenta.
As movimentações financeiras ligadas ao esquema teriam atingido montantes aproximados de R$ 1 bilhão, canalizados especialmente mediante compra de propriedades de alto valor, constituição de negócios e aquisição de estabelecimentos comerciais.
Os investigadores identificaram quatro principais eixos operacionais que sugerem uma estratégia deliberada de expandir o domínio da organização criminosa em instâncias do poder executivo e legislativo municipal:
• Lavagem de dinheiro através de operações no setor imobiliário;
• Administração de quiosques situados em espaços públicos de Praia Grande;
• Indícios de favorecimento em processos de licitação municipal;
• Financiamento ou sustentação de candidatos políticos eleitos.
No decorrer das investigações, a corporação requereu à justiça a captura imediata de quatro indivíduos identificados como operadores principais e gestores financeiros do esquema, bem como solicitou a expedição de mandados para buscas e apreensões, imobilização de contas bancárias, investimentos financeiros e bloqueio preventivo de 29 propriedades relacionadas aos investigados.
As operações buscam recuperar documentação, contratos comerciais, registros contábeis, equipamentos eletrônicos, numerário em espécie, instrumentos de crime e demais evidências relevantes para ampliar a investigação sobre os delitos de associação para delinquir, ocultação de patrimônio ilícito e comercialização de drogas.
A nomenclatura escolhida para a operação faz alusão ao comportamento parasitário exercido pelo grupo sobre a economia regional, com potencial impacto na concorrência leal e aproveitamento de atividades comerciais para proveito direto da instituição criminosa.
De acordo com a corporação policial, as investigações prosseguem sob sigilo processual com a finalidade de identificar demais integrantes da rede e determinar por completo o escopo patrimonial, comercial e político envolvido na estrutura criminosa.
0 Comentários
Faça um comentário