Pesquisa Quaest de Agosto: Lula lidera com 38% no primeiro turno; Flávio avança para 31%

Análise detalhada da pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto mostra eleição polarizada com vantagem de Lula, mas resultado acirrado no segundo turno.



A nova pesquisa Quaest revela um cenário eleitoral ainda polarizado, embora menos definido que em levantamentos anteriores. A distância entre os dois principais candidatos apresentou redução tanto no primeiro quanto no segundo turno. Confira os principais pontos desta análise.

Quaest: Lula tem 38% no 1° turno; Flávio, 31%

No cenário estimulado do primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio figura com 31%. Nenhum outro candidato ultrapassa a marca de 4%. Este resultado evidencia que, apesar de haver múltiplas opções à direita, apenas Flávio consegue se destacar nesta fase inicial de campanha. O voto contrário ao presidente encontra-se concentrado no candidato do PL.

A superioridade de Lula no primeiro turno tem origem principalmente na votação nordestina, onde alcança 57% das preferências. Contudo, o cenário muda significativamente no Sul, onde Flávio assume a dianteira com 40%. No Sudeste, os candidatos empatam. Ronaldo Caiado obtém 10% das intenções no eixo Centro-Oeste/Norte.

Entre o eleitorado jovem, observa-se empate técnico entre Lula e Flávio, com 34% e 31%, respectivamente. Neste segmento, Renan Santos destaca-se com 10%. No grupo etário acima de 60 anos, Lula mantém vantagem de 7 pontos percentuais.

O recorte por religião apresenta padrão consolidado desde 2018. Católicos preferem Lula com 47%, enquanto evangélicos favorecem Flávio com 43%. Esta divisão permanece consistente ao longo dos anos.

A rigidez do voto apresenta variações expressivas entre os candidatos. Lula possui o eleitorado mais fiel, com 77% afirmando voto confirmado. Flávio segue com 70%. Caiado e Renan registram 55% e 57%, respectivamente. Zema apresenta apenas 23% de voto consolidado, indicando grande potencial para migrações e voto útil.

Caso ocorra segundo turno, Lula e Flávio voltam a aparecer tecnicamente empatados na margem de erro. O presidente marca 43% enquanto Flávio soma 40%, cenário que não se repetia desde junho. A soma dos demais candidatos chegaria a 44% no primeiro turno.

As bases eleitorais de cada candidato apresentam perfis distintos. A vantagem de Lula sustenta-se no Nordeste, entre eleitores de baixa renda, população negra, com escolaridade fundamental e católicos. A força de Flávio concentra-se no Sul, entre evangélicos, eleitores de maior poder aquisitivo e com ensino superior.

Em um confronto direto com Caiado, Lula ampliaria sua vantagem para 7 pontos percentuais, alcançando 44% contra 37% do ex-governador goiano. Ao longo do tempo, observa-se redução no percentual de votos em branco, nulo e abstenções neste cenário.

O crescimento de Ronaldo Caiado no Sul merece destaque especial. Em maio, o ex-governador somava 36% na região; agora figura com 50%. Em compensação, Lula ampliou seu desempenho na combinação Norte/Centro-Oeste.

Renan Santos segue reduzindo a vantagem do presidente pesquisa após pesquisa. Próximo às eleições, Lula marca 44% enquanto Renan soma 36%, uma diferença de 8 pontos percentuais.

O crescimento de Renan concentra-se especialmente no eleitorado mais jovem. Entre eleitores de 16 a 34 anos, o candidato evoluiu de 32% em maio para 41% em agosto, representando ganho significativo neste segmento demográfico.

O ex-governador mineiro enfrenta dificuldades para manter o desempenho registrado no primeiro trimestre. Lula alcança 45% enquanto Zema soma apenas 34%. Esta distância era menor no início do ano, especialmente após o Carnaval e durante os embates de Zema com o ministro Gilmar Mendes.

Quanto ao conhecimento e rejeição dos candidatos, Lula e Flávio aparecem empatados nos dois indicadores. Entre os demais, existe potencial significativo de crescimento. Caiado permanece desconhecido por 43% do eleitorado, Zema por 47% e Renan por 65%.

A aprovação do governo apresentou oscilação negativa ao recuar de 48% para 46%. Embora marginais, estas variações interrompem a trajetória positiva acumulada após o lançamento do programa Desenrola.

A queda na aprovação origina-se principalmente entre eleitores independentes, aquele segmento pendular e volátil que definirá o pleito caso a polarização entre Lula e Flávio persista.

A percepção econômica também deteriorou-se recentemente. Após melhorias ao longo do primeiro semestre, o indicador voltou a apresentar avaliações mais negativas nos dias recentes.

Em síntese, o quadro eleitoral apresenta Lula na dianteira, Flávio consolidado como principal nome da oposição, e a disputa em aberto. Esta fluidez resulta da combinação entre vantagem eleitoral presidencial e avaliação frágil do governo, acrescida de nomes alternativos ainda muito desconhecidos pelo eleitorado.

A pesquisa divulgada nesta sexta-feira é a primeira encomendada pela Globo, em parceria com o jornal O Globo, para as eleições de 2026.

O instituto Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%. O número de registro é BR-06773/2026.

Até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, o g1, a Globo, a GloboNews, o jornal O Globo e emissoras afiliadas publicarão 130 pesquisas sobre disputas pelo Senado, Presidência da República e governos estaduais. Os levantamentos foram contratados junto à Quaest e ao Datafolha para informar o andamento da corrida eleitoral a cada rodada.

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