- Pela Redação
- 29/05/2023
A nova pesquisa Quaest revela um cenário eleitoral ainda polarizado, embora menos definido que em levantamentos anteriores. A distância entre os dois principais candidatos apresentou redução tanto no primeiro quanto no segundo turno. Confira os principais pontos desta análise.
No cenário estimulado do primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio figura com 31%. Nenhum outro candidato ultrapassa a marca de 4%. Este resultado evidencia que, apesar de haver múltiplas opções à direita, apenas Flávio consegue se destacar nesta fase inicial de campanha. O voto contrário ao presidente encontra-se concentrado no candidato do PL.
A superioridade de Lula no primeiro turno tem origem principalmente na votação nordestina, onde alcança 57% das preferências. Contudo, o cenário muda significativamente no Sul, onde Flávio assume a dianteira com 40%. No Sudeste, os candidatos empatam. Ronaldo Caiado obtém 10% das intenções no eixo Centro-Oeste/Norte.
Entre o eleitorado jovem, observa-se empate técnico entre Lula e Flávio, com 34% e 31%, respectivamente. Neste segmento, Renan Santos destaca-se com 10%. No grupo etário acima de 60 anos, Lula mantém vantagem de 7 pontos percentuais.
O recorte por religião apresenta padrão consolidado desde 2018. Católicos preferem Lula com 47%, enquanto evangélicos favorecem Flávio com 43%. Esta divisão permanece consistente ao longo dos anos.
A rigidez do voto apresenta variações expressivas entre os candidatos. Lula possui o eleitorado mais fiel, com 77% afirmando voto confirmado. Flávio segue com 70%. Caiado e Renan registram 55% e 57%, respectivamente. Zema apresenta apenas 23% de voto consolidado, indicando grande potencial para migrações e voto útil.
Caso ocorra segundo turno, Lula e Flávio voltam a aparecer tecnicamente empatados na margem de erro. O presidente marca 43% enquanto Flávio soma 40%, cenário que não se repetia desde junho. A soma dos demais candidatos chegaria a 44% no primeiro turno.
As bases eleitorais de cada candidato apresentam perfis distintos. A vantagem de Lula sustenta-se no Nordeste, entre eleitores de baixa renda, população negra, com escolaridade fundamental e católicos. A força de Flávio concentra-se no Sul, entre evangélicos, eleitores de maior poder aquisitivo e com ensino superior.
Em um confronto direto com Caiado, Lula ampliaria sua vantagem para 7 pontos percentuais, alcançando 44% contra 37% do ex-governador goiano. Ao longo do tempo, observa-se redução no percentual de votos em branco, nulo e abstenções neste cenário.
O crescimento de Ronaldo Caiado no Sul merece destaque especial. Em maio, o ex-governador somava 36% na região; agora figura com 50%. Em compensação, Lula ampliou seu desempenho na combinação Norte/Centro-Oeste.
Renan Santos segue reduzindo a vantagem do presidente pesquisa após pesquisa. Próximo às eleições, Lula marca 44% enquanto Renan soma 36%, uma diferença de 8 pontos percentuais.
O crescimento de Renan concentra-se especialmente no eleitorado mais jovem. Entre eleitores de 16 a 34 anos, o candidato evoluiu de 32% em maio para 41% em agosto, representando ganho significativo neste segmento demográfico.
O ex-governador mineiro enfrenta dificuldades para manter o desempenho registrado no primeiro trimestre. Lula alcança 45% enquanto Zema soma apenas 34%. Esta distância era menor no início do ano, especialmente após o Carnaval e durante os embates de Zema com o ministro Gilmar Mendes.
Quanto ao conhecimento e rejeição dos candidatos, Lula e Flávio aparecem empatados nos dois indicadores. Entre os demais, existe potencial significativo de crescimento. Caiado permanece desconhecido por 43% do eleitorado, Zema por 47% e Renan por 65%.
A aprovação do governo apresentou oscilação negativa ao recuar de 48% para 46%. Embora marginais, estas variações interrompem a trajetória positiva acumulada após o lançamento do programa Desenrola.
A queda na aprovação origina-se principalmente entre eleitores independentes, aquele segmento pendular e volátil que definirá o pleito caso a polarização entre Lula e Flávio persista.
A percepção econômica também deteriorou-se recentemente. Após melhorias ao longo do primeiro semestre, o indicador voltou a apresentar avaliações mais negativas nos dias recentes.
Em síntese, o quadro eleitoral apresenta Lula na dianteira, Flávio consolidado como principal nome da oposição, e a disputa em aberto. Esta fluidez resulta da combinação entre vantagem eleitoral presidencial e avaliação frágil do governo, acrescida de nomes alternativos ainda muito desconhecidos pelo eleitorado.
A pesquisa divulgada nesta sexta-feira é a primeira encomendada pela Globo, em parceria com o jornal O Globo, para as eleições de 2026.
O instituto Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%. O número de registro é BR-06773/2026.
Até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, o g1, a Globo, a GloboNews, o jornal O Globo e emissoras afiliadas publicarão 130 pesquisas sobre disputas pelo Senado, Presidência da República e governos estaduais. Os levantamentos foram contratados junto à Quaest e ao Datafolha para informar o andamento da corrida eleitoral a cada rodada.
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